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Entrevista com Sophia Loren, senhora de eterna beleza

Madrinha do calendário da Pirelli, atriz lembra de amigos e fala sobre como ser bela aos 78 anos

UBIRATAN BRASIL - O Estado de S.Paulo,

28 de novembro de 2012 | 02h08

RIO - A cinzenta manhã carioca foi ofuscada quando a porta do elevador do Copacabana Palace se abriu anunciando a chegada de uma elegante dama trajando vermelho. A cor ligeiramente berrante destruiria o conceito de bom gosto de qualquer mulher mas, no corpo ainda bem talhado de Sophia Loren, simplesmente substituiu a ausência do brilho solar. Aos 78 anos, a atriz italiana ainda encanta com sua rara beleza.

Madrinha do calendário da Pirelli (posou para a edição de 2007, praticamente dobrando o interesse pelo já icônico objeto), Sophia veio ao Rio para prestigiar o lançamento do trabalho de Steve McCurry. Reservada, evitou grandes compromissos sociais. Mas aceitou conversar com poucos jornalistas (entre eles, o do Estado) sobre sua bem sucedida carreira (Oscar de atriz em 1962, por Duas Mulheres), as eternas amizades (o diretor Vittorio De Sica, o ator Marcello Mastroianni), a sensação de ser dirigida pelo filho Edoardo e, ainda, a manutenção da beleza

Que tal posar para o calendário?

Quando me convidaram, respondi que precisava pensar. O calendário geralmente traz imagens de jovens, algumas nuas, e, como tenho família, precisava saber o que pretendia o fotógrafo. Acabaram me convencendo e o trabalho ficou bom. Sou boa lutadora, se não me agrada, digo: "Desculpe, estou indo embora".

A senhora sempre foi elegante. Acredita que a beleza ganhou uma importância exagerada?

Hoje em dia, vemos nudez em todas as partes do mundo, o que não é interessante se não for registrada com bom gosto, se não houver um tratamento adequado à figura da mulher.

Quando é convidada para fotografar ou fazer algum filme, que características são necessárias?

O tipo de papel que vou representar: o que significa, o que vou dizer, qual o contexto. Também preciso saber quem será o diretor. Eu conhecia bem Vittorio De Sica, trabalhamos juntos durante mais de 20 anos, éramos como pai e filha. Eu confiava nele plenamente. Com um diretor mais novo, preciso saber o que tem em mente, pois emoções não são fáceis de representar.

Como foi ser dirigida pelo seu filho, Edoardo Ponti, em Desejo de Liberdade (2002)?

Foi difícil, pois eu me lembrava de quando o carregava nos braços. A primeira semana não foi fácil, mas, depois a situação melhorou: ele trabalhou bem como diretor, deixou-me confiante e o resultado foi muito bom.

Que tal os filmes modernos?

Não distingo novo do velho. Outro dia, vi Rebecca, dirigido por Alfred Hitchcock (em 1940). Mexeu com minhas emoções, me surpreendeu e estimulou meu pensamento. É possível chamá-lo de filme velho? Creio que não.

A senhora se lembrou de De Sica. Foi seu principal diretor?

Era como um deus para mim. Ao lado de Roberto Rossellini, que era um pouco mais velho, ele foi o principal nome do cinema italiano dos anos 50. Nosso primeiro filme juntos foi O Ouro de Nápoles (1957) e, a partir de então, trabalhamos juntos por 20 anos.

E qual a diferença de trabalhar com Ettore Scola, com quem fez Um Dia Muito Especial?

Scola me fez conquistar, como atriz, uma interpretação que, até então, não tinha tido chance. Foi uma grande vitória pessoal, algo realmente incrível.

Mesmo não sendo original, qual o segredo de sua beleza?

Não sei, apenas ser você mesma, cuidando da saúde, gostando de si mesma. Pensar sempre no bem, andar muito. É fácil cuidar de si mesma, assim como também é fácil se destruir.

A senhora trabalhou em 11 filmes com Mastroianni. Se De Sica era como um pai, ele seria o irmão?

Ele era um grande companheiro. O curioso é que nos víamos apenas durante os sets de filmagem - não saímos para jantar, por exemplo. Mas, no trabalho, éramos amigos fraternos.

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