ENTRESSAFRA PERNAMBUCANA

Além da vertente latino-americana e de ter apostado na música do Pará (este ano teve Mestre Vieira da guitarrada), o Rec-Beat, em 18 anos de existência, sempre primou por trazer novidades de Pernambuco. A edição de 2013, com quatro atrações representantes daqui, reflete o momento de transição por que passa a música do Estado.

RECIFE, O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2013 | 02h06

Com as canções de seu segundo álbum, Longe de Onde (2011), Karina Buhr (nascida em Salvador, mas criada no Recife) era a atração mais esperada dessa vertente. E não decepcionou quem esperava há tempos por uma apresentação sua no festival.

Além dela e Jorge Cabeleira e o Dia em Que Seremos Todos Inúteis, dois projetos novos, Combo X e Os Sertões, trouxeram referências das bandas de seus líderes, Gilmar Bolla 8, percussionista da Nação Zumbi, e Clayton Barros, guitarrista do extinto Cordel do Fogo Encantado.

O curador e idealizador do Rec-Beat, Antonio Gutierrez, o Guti, disse que teve certa dificuldade em selecionar o elenco pernambucano para esta edição. Foram poucos trabalhos novos lançados no período, incluindo os de outros artistas que já passaram pelo palco do festival e estavam na programação de outros polos.

Embora seja realizado dentro do carnaval, o Rec-Beat é um evento à parte, um dos melhores e mais visados festivais de música pop independente no Brasil. Além da programação mais ousada, a qualidade técnica salta aos olhos e ouvidos. Esse é um cuidado que Guti sempre tem, e apesar de ter conseguido menos verba do que em 2012 - o que de certa forma influiu na escalação de artistas e bandas -, houve até mais valorização dos técnicos.

Com a mudança do governo municipal do PT para o PSB, há uma preocupação geral em relação ao que pode haver de mudanças no Carnaval Multicultural do Recife - que vem dando certo nesses anos todos de gestão petista, mas também vem se repetindo e deixa no ar uma certa necessidade de reavaliação.

Guti confirma que o Rec-Beat "vem somando" muito para o carnaval e está na expectativa para saber como será a próxima edição. "É preciso que entendam que o festival não é de uma gestão específica, já tem 18 anos. Passamos por várias administrações e todas entenderam sua importância. É impossível fazer o festival dentro do carnaval sem o apoio do poder público." / L.L.G.

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