Ernesto Rodrigues/ Estadão
Ernesto Rodrigues/ Estadão

'Entrelinhas' volta à tela da Cultura

Literatura é primeiro alvo do novo diretor-presidente da casa, Marcos Mendonça, escolhido ontem com 35 votos

O Estado de S.Paulo

14 de maio de 2013 | 02h10

O Entrelinhas, programa semanal dedicado à literatura e incorporado ao Metrópolis como quadro há pouco mais de um ano, voltará a ser um título solo, com vaga própria na grade da TV Cultura, ainda em 2013. Esta é a primeira mudança de conteúdo prometida pelo novo diretor-presidente da Fundação Padre Anchieta (FPA), Marcos Mendonça, que conversou com o Estado ontem, já eleito ao posto a ser deixado por João Sayad em 14 de junho.

Candidato único, com histórico político ligado ao governador Geraldo Alckmin e uma passagem pela presidência da FPA (de 2004 a 2007), Mendonça teve sua eleição ratificada por 35 dos 43 conselheiros presentes à eleição, na manhã de ontem, na sede da FPA - quatro membros faltaram, seis votaram em branco e dois anularam os votos. Por unanimidade, o advogado Belisário do Santos Jr. foi reeleito ao cargo de presidente do Conselho e novamente renunciou à remuneração do posto, prevista em estatuto. Jorge da Cunha Lima foi eleito vice-presidente do Conselho e Gabriel Jorge Ferreira, secretário da mesa do Conselho Curador. Durante a sessão, houve ainda a posse de três novos conselheiros - José Tadeu Jorge (reitor da Unicamp) e dos deputados estaduais Célia Leão (PSDB) e Adriano Diogo (PT).

Ainda sob as asas da FPA, estão as rádios Cultura AM e Cultura FM, o canal pago TV Rá-Tim-Bum e os canais Univesp TV e Multicultura, que funcionam no espectro da TV digital em sinal aberto. "Pretendo ampliar o Univesp (canal dedicado a cursos universitários virtuais e semivirtuais) e usar melhor o Multicultura para a educação básica e média", afirmou. "É algo que pode ajudar professores, pais e alunos. Imagina-se que em dois anos o acesso à TV digital seja universal", completa.

A questão do sinal digital ocupa espaço prioritário no planejamento de Mendonça. Segundo ele, boa parte das antenas retransmissoras da Cultura atinge um raio defasado, pois foi instalada nos anos 80 e atendia a populações bem menores. Agora, com a necessidade de se adequar ao sinal digital em dois anos - prazo estabelecido pelo governo federal para desativar o sinal analógico -, Mendonça buscará "parcerias" com emissoras locais, para "reduzir os custos" da operação.

Também já conversou com Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc, sobre a possibilidade de a Cultura exibir produções da Sesc TV, como uma agenda de música instrumental que ocupa o Sesc da Avenida Paulista nas noites de sábado. E quer ampliar a troca de programas com a TV Brasil.

Gringos. Sobre a vontade de reduzir o número de produções estrangeiras na TV Cultura, Mendonça ressalta que não jogará fora o que já foi adquirido - "ao contrário". "Existe uma série de produtos estrangeiros da melhor qualidade", diz, ao ser questionado se tiraria do ar a série Mad Men, que ampliou em 24,5% o tempo médio do espectador sintonizado na Cultura no horário. Outra ideia seria eliminar a sessão legendada da Mostra de Cinema Internacional e manter apenas a dublada, mais acessível às classes C e D. Hoje, as sessões legendadas, no entanto, têm média de 1,1 ponto, 10% a mais que as dubladas. / CRISTINA PADIGLIONE

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