Entrega do Prêmio Multicultural Estadão reúne personalidades

Uma homenagem ao geógrafo Milton Santos e discursos singelos marcaram a noite da celebração da 5.ª edição do Prêmio Multicultural 2001 Estadão Cultura, na quarta-feira, no Sesc Pompéia. Os premiados na categoria criadores (o escritor e crítico teatral Sábato Magaldi, o músico Tom Zé e o médico e escritor Drauzio Varella) receberam R$ 30 mil cada um e um troféu projetado pelo artista plástico Félix Bressan.A ialorixá do terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, mãe Stella de Oxóssi, escolhida na categoria de fomentadora, não compareceu justificando questões religiosas. Seu representante, Luís Duílio Martins, destacou a importância e influência da cultura africana no Brasil: "Mãe Stella pede desculpas pela ausência e disse que se sente muito honrada com o reconhecimento de seu trabalho e seus ideais." O prêmio foi entregue pelo diretor regional do Sesc São Paulo, Danilo Santos de Miranda.A festa foi comandada pela atriz Rosi Campos, que anunciou os vencedores. Fernão Lara Mesquita entregou o troféu a Sábato Magaldi, que se mostrou surpreso com a indicação: "Confesso que tomei um susto quando fiquei sabendo, pois há pessoas mais importantes que eu."O diretor comercial do Estado, Roberto Mesquita, agradeceu o apoio do Sesc na realização do evento. "O Multicultural já possui uma pequena história. Já podemos fazer um retrato da importância do prêmio, que destaca pessoas importantes em diferentes áreas culturais, de todo o Brasil, independentemente da fama, dando visibilidade a elas. Trabalhamos com o que há de melhor na cultura", comentou. Ele deu o prêmio a Drauzio Varella, muito aplaudido pela platéia de aproximadamente 1.500 pessoas. "Espero que essa homenagem sirva como estímulo para que eu trabalhe ainda mais."O diretor de redação do Estado, Sandro Vaia, entregou o prêmio ao último homenageado da noite, Tom Zé. O músico, muito bem-humorado, brincou com os outros premiados, que limitaram seus discursos: "Rapaz, por que tanta humildade?! Vamos conversar com as pessoas que estão aqui!" Depois, comentou sobre sua iniciação cultural: "Quando tinha 15 anos, fiquei para segunda época na escola. Deveria estudar os livros, mas o lado comunista de minha família sempre me dizia para ler Os Sertões, de Euclides da Cunha. Comecei a ler, achei a primeira parte muito difícil, mas quando cheguei ao Homem, mudei minha maneira de ver o mundo e me tornei um analfabeto convicto. Perdi o ano, mas foi a partir daí que comecei a ganhar o Multicultural."Assim como outros indicados, o diretor teatral Amir Haddad também prestigiou a festa, em que valorizou a importância do prêmio. "É muito representativo, a começar pelo número de 6 mil eleitores, que nos avaliam em todo o País. Isso auxilia na divulgação de nossos trabalhos."A noite foi marcada ainda pela abertura da exposição Território Expandido 3, aberta ao público até o dia 29 e com a curadoria de Angélica de Moraes. O tema deste ano é a arte eletrônica e, como nas edições anteriores, homenageou todos os indicados.A festa contou com a presença de convidados vips como a diretora do Museu de Arte Moderna, Milu Vilella, a atriz Karin Rodrigues e o ator Paulo Autran, curioso em analisar um tipo de trabalho a que não está acostumado. "Conheço pouco de videoarte pois prefiro algo mais artesanal, mas é importante divulgar trabalhos de vanguarda", comentou. A atriz Regina Braga comentou a pluridade do prêmio: "O multicultural é rico porque abrange várias áreas - justamente multicultural."

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