Andre Penner/AP Photo
Andre Penner/AP Photo

Entre ondas de frio e calor, SPFW celebra escapismo

Com coleções de inverno e verão embaralhadas no calendário, moda praia propõe passarela de sonhos

Maria Rita Alonso e Sergio Amaral, O Estado de S.Paulo

25 Abril 2018 | 22h36

O penúltimo dia da São Paulo Fashion Week materializou nas passarelas uma velha conhecida dos paulistanos: a instabilidade climática e a sensação de que num mesmo dia vivemos diferentes estações. Nesta temporada, estão sendo apresentadas coleções de inverno, que já estão nas lojas (o tal do see-now-buy-now, ou, veja-agora-compre-agora), assim como prévias do verão 2019 (que chegam às vitrines apenas no segundo semestre). A dualidade ficou mais evidente ontem, com dois desfiles de moda praia na agenda.

Lenny Niemeyer fez o primeiro deles, sobre um tema batido, mas interpretado de maneira inventiva, listando riquezas naturais do Brasil. “Queria uma coleção que fosse bastante orgânica, com um olhar de mulheres desbravadoras”, explica a estilista. Ela mostrou maiôs, biquínis, túnicas e vestidos com propostas utilitárias, como maxibolsos, brincou com misturas de estampas tropicais (folhagens, florais das chitas, asas de borboletas e grafismos marajoaras) e investiu num trabalho de tramas de seda com aspecto de palha, que se desconstruíam em franjas. É preciso um tempo para gerar desejo”, diz Lenny. “Conceitualmente, acho que ninguém sai correndo de um desfile para ir para a loja”, completa. “Esse see-now-buy-now veio só para bagunçar nossa vida”, diz Nelson Alvarenga, o presidente do conselho do grupo InBrands, sócio da SPFW e dono de marcas, como Ellus, Richards e Salinas.

Acompanhando o termômetro da natureza, a manhã abriu com a coleção de inverno da A.Niemeyer, que levou o povo da moda e clientes aos domínios da Escola Britânica de Artes Criativas (Ebac), na Vila Madalena. O mood era de uma praia fria, com surfistas destemidos pegando ondas em um mar quase congelado. As estilistas Renata Alhadeff e Fernanda Niemeyer, que levantam a bandeira do slow fashion, imaginaram roupas para momentos relaxantes entre amigos, usando elementos do universo do surfe como referência. Conclusão: ótimos jeans, túnicas e peças de lã que davam um ar cozy a tudo e uma cartela suave e neutra com toques de mescla e azul.

Quer uma alternativa mais radical de estilo de vida? A Cotton Project, sim. Seu inverno trata de gente que larga tudo para começar do zero, com peças básicas em veludo e moletom.

De volta ao verão 2019, a Salinas acionou o botão do escapismo, sonhando com dias ensolarados, à beira de uma piscina chique, onde se pode tomar um refresco ao som de baladinhas francesas vintage. Os maiôs (agora onipresentes) têm um colorido de laranja, verde, rosa e azul, em estampas que mimetizam o quadriculado dos azulejos e brinca com as formas do guarda-sol. As viseiras ganharam destaque (elas voltaram), ao lado das referências a uniformes esportivos.

Transportar a gente para lugares mais calmos e agradáveis, alienando às vezes e confortando também, é função das passarelas desde sempre. O escapismo no Brasil, realmente, é algo que não sai de moda

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