Entre lírica e grotesca, peça tem tom de fábula

Duas marquesas decadentes vivem em uma casa abandonada. Perderam o fausto de antigamente. Foram-se as joias, os vestidos, as festas. Têm 88 anos, são gêmeas e dependem dos cuidados de uma antiga criada centenária. Em sua aparência primeira, o texto As Três Velhas, do chileno Alejandro Jodorowsky poderia sugerir um desfecho trágico. Lá estão, afinal, todos os componentes - a perda, a velhice, o desamparo - para um drama de densidade. É já nas primeiras cenas, contudo, que o dramaturgo deixa evidente que suas intenções são bem outras e incluem a troça, o riso, o grotesco.

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2010 | 00h00

"É um episódio macabro dentro de um universo de conto de fadas", resume o ator Luciano Chirolli que, ao lado de Pascoal da Conceição, interpreta uma das velhas na montagem assinada por Maria Alice Vergueiro. Apesar de publicada, a peça nunca havia sido montada. Antes, mereceu apenas uma versão com títeres, na Bélgica, e agora abre temporada no CCBB.

Além de responder pela direção, Maria Alice também está em cena. Encarna a velha criada responsável pela jornada de auto-conhecimento das marquesas-gêmeas, e sublinha, com sua inconfundível dicção, o tom cômico que atravessa o espetáculo.

No auge da decadência, quando parecem condenadas à indigência, as irmãs encontram a redenção ao receberem um improvável convite para tornarem-se garotas-propaganda. "Funciona como uma fábula", comenta Pascoal da Conceição. "A gente vive pautado por essa coisa do cotidiano, do dia a dia, mas também faz parte de nós uma loucura, o imaginário. A peça nos remete à nossa máquina de sonhar. E é essa máquina que faz o mundo funcionar."

Brecht e Weill

Em 1977, ano de fundação do grupo Teatro do Ornitorrinco, Maria Alice estreou o sucesso Teatro do Ornitorrinco Canta Brecht e Weill.

O Avarento

O Ornitorrinco montou uma série de textos clássicos, como O Avarento, de Molière, e Sonho de Uma Noite de Verão, de Shakespeare.

Mãe Coragem

Além de protagonizar a versão de Sergio Ferrara para a peça de Brecht,em 2002, Maria Alice também assinou a adaptação do texto.

Tapa na Pantera

Com o vídeo de Rafael Gomes, Mariana Barros e Esmir Filho, Maria Alice transformou-se em fenômeno na internet, em 2006.

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