Entre acordes e farpas

Nashville fala sobre a dura relação entre estrelas do show biz

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2013 | 02h13

Conhecida por ter escrito a história de duas mulheres com um bom relacionamento em Thelma & Louise (1991), que lhe rendeu um Oscar de roteiro original, a roteirista norte-americana Callie Khouri vai mostrar que também sabe falar sobre a discórdia no universo feminino, em Nashville, que estreia quarta-feira, às 21 horas, na Sony.

A série narra a situação de tensão entre Rayna (Connie Britton, vista em American Horror Story), uma cantora quarentona cuja carreira não anda muito bem, e Juliette Barnes (Hayden Panettiere, de Heroes), um jovem talento da música country pop em ascensão, com quem a gravadora a obriga a trabalhar sob a ameaça de cancelar uma turnê e boicotar a divulgação do novo. O ódio entre as duas convenceu tanto que ambas concorreram aos prêmios de atriz e atriz coadjuvante, respectivamente, no Globo de Ouro deste ano.

Apesar de tratar de duas estrelas do gênero musical na cidade onde ele é mais forte nos EUA, Nashville foca no lado pouco glamouroso das artistas, que parecem prontas para sair no tapa a qualquer minutos. Rayna, que não tem empregados e cumpre todas as tarefas domésticas quando não está no palco, têm de lidar com o marido, Teddy (Eric Close) com problemas financeiros. Para piorar, ele é intimidado pelo sogro, Lamar (Powers Boothe), um político influente no Estado, com ar de mafioso, que planeja lançar o genro como prefeito para poder manipulá-lo e incomodar a filha.

Juliette anda bem na vida profissional, porém, chora escondida quando o assunto é sua mãe, de quem ela mantém distância, pois não aguenta receber ligações com pedidos de dinheiro. Por outro lado, a jovem cantora, com figurino de periguete com chapéu de caubói e um time de dançarinas de roupas curtas, se mostra sorridente para conseguir seus objetivos e costuma seduzir produtores musicais e outros profissionais da indústria fonográfica.

A relação entre Rayna e Juliette já começa turbulenta. Ao serem apresentadas, nos bastidores de um evento, as duas trocam alfinetadas minutos antes de a veterana receber um aviso de que suas apresentações estão com poucos ingressos vendidos e que ela tem uma semana para dizer aos executivos se aceita abrir os shows da novata ou terá sua carreira encerrada. Enquanto pensa sobre a parceria forçada com a rival, a personagem tem impressão de que o universo conspira contra ela em cenas cômicas como, no primeiro episódio, em que suas filhas cantarolam canções de Juliette a caminha da escola.

Por abordar o show business, a série também enfatiza os momentos de estrelismo das protagonistas. Cercada de assistentes e maquiadores, Juliette reclama com sua assessora e sobre uma ligação recebida e atira o celular na lixeira. Já Rayna, em um dos ensaios, grita com sua banda por não gostar do equipamento novo. Porém, por estar em decadência, se redime. "Desculpem, tive um ataque de diva", reconhece.

Além de ser uma das produtoras da série, Connie Britton canta de verdade nas cenas de shows, assim como Hayden Panettiere. Nos EUA, foi lançado o disco da trilha, com produção de T-Bone Burnett, vencedor de quatro prêmios Grammy e um Oscar.

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