Entre a ação e o drama

Diretor Brad Bird se sai melhor do que a encomenda no quarto episódio

O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2011 | 03h09

Nas entrevistas que deu ao Estado, em Dubai e no Rio, o diretor Brad Bird repetiu sempre a mesma coisa - apesar das diferenças de metodologia, animação e live action não diferem na essência. Em ambas, conta-se uma história. "It's all storytelling", ele resumiu.

Havia grande expectativa pelo que Bird poderia trazer para uma série como Missão Impossível. Em primeiro lugar, porque as escolhas do astro Tom Cruise como produtor, nos filmes anteriores, haviam recaído sobre importantes diretores como Brian De Palma, John Woo e JJ Abrams.

Cada um deles imprimiu sua marca à série e os filmes são todos muito bons, como o cinéfilo pode confirmar nos lançamentos em DVD, cheios de extras, de MI 1, 2 e 3, incluindo entrevistas dos diretores.

Mas havia a questão específica do diretor Bird, autor do melhor filme de 2007, não apenas animação, embora Ratatouille seja uma. Bird saiu-se melhor que a encomenda. O filme tem ação e humor para ninguém botar defeito e a cena da escalada do prédio mais alto do mundo - Burj Khalifa, em Dubai - já entrou para a história. Bird contou que tinha pesadelos só de pensar na cena. Ele temia ficar conhecido como o diretor que matou seu astro (e produtor), já que Cruise não abriu mão de se pendurar na parede externa do edifício, dispensando dublês. Deu certo e o alívio cômico provocado pela entrada em cena de Simon Pegg é, por assim dizer, a cereja do bolo.

Mas a marca de Brad Bird não está tanto na ação, por mais eletrizante que seja - em Budapeste, Moscou, Dubai ou Mumbai. A marca está na dramaturgia. Missão Impossível - Protocolo Fantasma abre-se com um assassinato a sangue frio e prossegue com o protocolo que encerra as atividades da divisão de Ethan Hunt e seus amigos. Um filme sobre a morte vira uma história de ressurreição - da agência, da mulher, mas aí é bom não avançar na conversa para não tirar a graça das surpresas que a trama reserva.

Brian De Palma fez da sua Missão Impossível um sonho de cinéfilos. John Woo criou o jogo de máscaras. JJ Abrams humanizou o herói, fazendo de Ethan um homem apaixonado. Brad Bird faz a súmula de todos. Cria ação e investe - pesado - no drama. A revelação final possui a mesma carga mágica do espanto do crítico gastronômico ao provar a ratatouille do rato. Apesar disso, Bird é modesto. "Sua interpretação torna meu filme melhor do que é." Que nada. Ela só é possível porque as coisas todas estão lá.

Crítica: Luiz Carlos Merten

JJJJ ÓTIMO

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