Entidade italiana proíbe anúncio com mulher anoréxica

O órgão responsável porfiscalizar as peças de propaganda na Itália decidiu proibir afotografia de uma mulher nua e anoréxica em uma campanha quechamava atenção para a doença ao mesmo tempo em que promoviauma marca de roupa. A IAP, o órgão de regulamentação criado pelo setor depublicidade, afirmou que a imagem, de autoria do polêmicofotógrafo italiano Oliviero Toscani, violava o seu código deconduta. A foto chocante apareceu em jornais e em outdoors durante asemana da moda de Milão, em setembro, com as palavras "Não àAnorexia" e o nome da grife Nolita, do grupo Flash&Partners. As imagens já haviam sido retiradas dos outdoors de Milão,apesar de uma ainda continuar sendo exibida em Roma. A IAP afirmou que a campanha publicitária desobedecia aoartigo 1 de seu código de conduta, segundo o qual um anúnciodeve ser honesto, verdadeiro e correto, e ao artigo 10, segundoo qual um anúncio não pode ofender valores morais, cívicos oureligiosos e precisa "respeitar a dignidade humana em todas assuas formas e expressões". Toscani, que já fotografou um homem morrendo de Aids parauma campanha da marca Benetton, considerou a decisão um ato de"censura". "Vou me decidir sobre adotar ou não uma ação a fim debuscar uma indenização por danos morais e econômicos", disseele à Reuters, ressaltando que a decisão de proibir a campanhahavia sido tomada por "uma entidade privada e não por umaautoridade judicial". "A ministra da Saúde disse que a campanha estava indo bem.A quem eu deveria dar ouvidos? À ministra da Saúde ou a umaentidade privada de justiça? E esse tipo de decisão chega tardese chega quando a campanha já está pronta." A campanha da Nolita havia recebido o aval do Ministério daSaúde. A ministra italiana da Saúde, Livia Turco, afirmou queela "poderia despertar a responsabilidade frente ao problema daanorexia." A ministra não se manifestou sobre a decisão da IAP. Segundo a Flash&Partners, o objetivo de Toscani seria "usaro corpo nu para mostrar a todos a realidade dessa doença,provocada, na maior parte dos casos, pelos estereótipos vindosdo mundo da moda." Mas a Associação para o Estudo da Anorexia, uma entidadeitaliana, afirmou que a imagem era "grosseira demais." O peso das modelos transformou-se em um assunto polêmicodepois de duas modelos latino-americanas terem morrido deanorexia no ano passado. Segundo alguns, a obsessão do mundo damoda pelas silhuetas esquálidas levavam as mulheres a estaremsempre insatisfeitas com seus corpos. A cidade de Milão respondeu à polêmica proibindo aparticipação de modelos menores de idade ou magras demais emseus desfiles.

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