Tasso Marcelo/AE
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Enrique Diaz inaugura monólogo em nova montagem de Daniel MacIvor

Diretor Enrique Diaz reinaugura teatro Alfredo Mesquita com três produções do canandense

MARIA EUGÊNIA DE MENEZES , ENVIADA ESPECIAL / RIO, O Estado de S.Paulo

05 de julho de 2012 | 03h08

RIO DE JANEIRO - "É uma espécie de caso de amor", define Enrique Diaz ao discorrer sobre a relação que estabeleceu com a obra do canadense Daniel MacIvor. "Tenho até medo de me tornar diretor de um autor só." Depois de montar In on It, sucesso da temporada teatral de 2010, ele estreou em março, no Rio, mais uma peça do dramaturgo: A Primeira Vista, com Mariana Lima e Drica Moraes.

A admiração pelo escritor, contudo, parece longe de se esgotar. A partir do dia 13, Diaz aporta em São Paulo com os dois espetáculos e mostra uma prévia da que deve ser a sua próxima incursão por esse universo: o monólogo Monster. A programação, intitulada Mostra Daniel MacIvor, marca a reabertura do Teatro Alfredo Mesquita, sala que mereceu uma extensa reforma.

"Muito do que ele escreve bate com o que sinto, com a minha maneira de entender teatro", diz o diretor, ator e fundador da Cia. dos Atores. À frente do renomado coletivo, Diaz construiu uma carreira pautada, em muitos sentidos, pela desconstrução. Com Ensaio.Hamlet (2004) esfacelou a peça canônica da dramaturgia universal. Em A Gaivota - Tema para um Conto Curto (2007) manteve a lógica, lançando-se a uma leitura anárquica do clássico de Anton Chekhov.

Com MacIvor, o encenador permanece no território que aparentemente lhe é tão caro: persevera na trilha da metalinguagem, da pesquisa de códigos e da quebra das expectativas do público. Não precisa, porém, empreender nenhuma "desmontagem". Encontra esteio pronto para trafegar por essa seara. "É bom ter o apoio dessa estrutura tão sofisticada. Isso me trouxe uma facilidade. Não tenho que subverter o que ele escreve", comenta.

A complexidade estrutural é um traço que atravessa as criações do dramaturgo. Tanto em In on It quanto em A Primeira Vista existe uma aura de simplicidade. Situações cotidianas. Diálogos cristalinos. Mera aparência. A suposta despretensão recobre um jogo intrincado. Com evoluções e recuos no tempo, múltiplos planos narrativos. Pistas que o espectador é convocado a reunir para surpreender-se ao final.

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