Enredo de "Cabocla" não é novo, mas agrada

Cabocla, nova novela das seis da Globo, teve a melhor estréia das últimas 15 novelas do horário, ou desde 1996. Foram 40 pontos de média na prévia da Grande São Paulo, com 58% de share (porcentual de participação no universo de aparelhos ligados). A estréia de Chocolate com Pimenta deu 35 com 56%, a de Agora é Que São Elas, 28 com 45% de share, Sabor da Paixão registrou 29 com 50% de share, e Coração de Estudante estreou com 30 de média. Cada ponto equivale hoje a 49,5 mil domicílios na Grande São Paulo. Para o telespectador, Cabocla causa uma sensação de déjà vu. Mas isso nada tem a ver com o fato da novela ser um remake. Mesmo quem não viu a primeira versão dessa história de Benedito Ruy Barbosa é capaz de acreditar que já viu isso em algum lugar de um passado não muito remoto. A referência é o próprio universo do autor, criador de Paraíso (1982), Sinhá Moça (1986) - só para mencionar duas de suas obras exibidas às 6 da tarde - Pantanal (1990) e Renascer (1993), no horário nobre. Faz tempo que Benedito não estaciona sua prosa nos fins de tarde. E, por mais que já se tenha visto essa rinha entre coronéis e uma súbita paixão entre seus herdeiros, a receita está longe de se esgotar no gosto da platéia - especialmente a urbana, onde o Ibope faz a maioria de suas pesquisas de audiência e onde o mercado publicitário pode apoiar suas apostas. Endossando a sensação de Vale a Pena Ver de Novo, lá está Jussara Freire, no mesmo "ara, sô!" de Pantanal. E rompendo com tudo isso, Tony Ramos, totalmente livre do sax que o perseguia em Mulheres Apaixonadas, já no primeiro capítulo convenceu o público de que nasceu fazendeiro.

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