Enquete elege Odete Roitman a maior vilã da tevê

A vilã mais odiada da temporada, Nazaré, personagem de Renata Sorrah na novela Senhora do Destino causa ojeriza no telespectador, que nem assim muda de canal. Ao contrário, quer ver mais, sempre apostando na máxima de que a justiça tarda, mas não falha. Assim foi também com Odete Roitman, papel de Beatriz Segall em Vale Tudo (1988), eleita por mais de 32% dos internautas do portal estadao.com.br como a maior vilã de todos os tempos na história da telenovela brasileira - a enquete, realizada entre 6 e 13 de outubro, permitia resposta espontânea. Leôncio (Rubens de Falco em Escrava Isaura, de 1976) veio em segundo lugar, com cerca de 20% dos votos, seguido por Maria de Fátima Acioly (Glória Pires, de novo Vale Tudo), com 17%. Nazaré também foi bem citada. Outros destaques foram Renato Mendes (Fábio Assunção em Celebridade, de 2004, 97 votos), e Laura "cachorra" Prudente da Costa (Cláudia Abreu na mesma novela, 67 votos). O Estado também ouviu alguns dos criadores dessas criaturas para saber, dos autores de telenovelas, quem merece o troféu do mal nos folhetins brasileiros. Deu empate com a opinião do público. Dos sete autores ouvidos - Silvio de Abreu, Aguinaldo Silva, Lauro César Muniz, Walther Negrão, Glória Perez, Walcyr Carrasco e João Emanuel Carneiro - cinco citaram dona Odete. Leôncio, Maria de Fátima, Perpétua (Joana Fomm em Tieta, 1989) e Mário Liberato (Cecil Thiré em Roda de Fogo, 1986) empataram em 2.º lugar (dois votos cada). O time também cita Nazaré e Laura, além de Altiva (Eva Wilma em A Indomada, 1997), Adma (Cássia Kiss em Porto dos Milagres, 2001), Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo em O Bem-Amado, 1973), Raquel (a gêmea má de Mulheres de Areia, vivida por Eva Wilma em 1973 e por Glória Pires em 1993), Jezebel (Elizabeth Savalla em Chocolate com Pimenta, 2003) e Laurinha Figuerôa (Glória Menezes em Rainha da Sucata, 1990). "Até hoje me chamam de Odete. É insuportável, sabe? E as pessoas se acham tão originais ao me abordarem desta forma...", disse Beatriz Segall ao Estado, após duas tentativas frustradas da reportagem em ouvi-la: há tempos ela declara que não fala mais sobre o papel. "Já fiz tantos outros personagens, principalmente no teatro, que isso me incomoda." Renata Sorrah, que fez a alcoólatra Heleninha Roitman, filha de Odete em Vale Tudo, assina embaixo. "A filha era o alvo predileto dela! Foi uma das melhores vilãs, ao lado de Suzana Vieira como Branca (Por Amor, 1998), Eva Wilma como Altiva e Cláudia Abreu de Laura", cita Renata. Mas Nazaré, a madrasta má da temporada, não tem folga no script de Aguinaldo Silva. O autor justifica que criou uma vilã atrapalhada para fugir do clichê que abençoa o mal por todos os capítulos, para só puni-lo no último dia. "Nazaré, como acontece com o gato no seriado Tom & Jerry (sim, eu me baseei nele!), está há anos tentando acertar uma bomba na cabeça da Do Carmo (Suzana Vieira), mas a bomba sempre cai sobre a própria cabeça", comenta o autor. A referência de desenho animado já inspirou outras vilãs de sua autoria, como Perpétua, Altiva e Maria Regina (Letícia Spiller em Suave Veneno). "A Nazaré é surtada demais", define Renata Sorrah, que faz uma vilã pela primeira vez na TV. "Estou adorando. As pessoas me param nas ruas e dizem que esperam pelo próximo passo de Nazaré". Para a atriz, Nazaré é a própria madrasta da Cinderela. É por isso que, segundo Renata, as crianças se identificam com a personagem. "Suas brigas com a Claudinha (Leandra Leal) são de adolescente. Ela é infantil e atrapalhada".

Agencia Estado,

18 Outubro 2004 | 12h06

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