'Enfim, reconheceram que sou bom'

Mel Brooks é tema de novo documentário e vai receber prêmio do American Film Institute pelo conjunto da obra

RONALD GOVER / REUTERS, O Estado de S.Paulo

15 de maio de 2013 | 02h08

Mel Brooks, cuja longa carreira na comédia inclui roteiro e direção de filmes como Os Produtores (1968) e Jovem Frankenstein (1974), vai receber do American Film Institute um prêmio por sua obra no dia 6 de junho. E, se você perguntar, ele vai dizer que já estava na hora.

"Finalmente, eles reconheceram que sou um bom diretor", diz, aos 86 anos, o artista que começou como comediante de stand-up, em entrevista em seu escritório em Culver City, perto de Los Angeles. "Eles dizem 'comédia forte, com autor e ator divertido'. Ninguém nunca disse que eu era um bom diretor."

A carreira de Brooks também será reconhecida em 20 de maio, na pré-estreia de Mel Brooks: Make a Noise, documentário que mostra sua trajetória desde a infância no Brooklyn até a chegada à Broadway, onde a adaptação de Os Produtores para os palcos levou 12 prêmios Tony, o Oscar do teatro.

"Silêncio no set", grita Brooks no meio da entrevista. Com os pés para o alto e as mãos na frente do rosto como se estivesse falando em um megafone, ele berra: "É isso o que eu faço melhor". Nos últimos dias, ele tem trabalhado discretamente com um assistente no Culver Studios, onde foram rodadas cenas de E O Vento Levou e Cidadão Kane.

Atrás de sua mesa estão três troféus do Emmy entre outras estatuetas, monumento à carreira de seis décadas, que começou como baterista e humorista em Borscht Belt, região ao norte de Nova York onde os judeus passavam as férias, antes de escrever, em parceria com o amigo Sid Ceasar, o show de comédia de variedades Your Show of Show, sucesso nos anos 1950.

A carreira de Brooks inclui outros prêmios como um Oscar de roteiro original por Aprenda a Perder Dinheiro (1968). As únicas pessoas que lhe consideraram um bom diretor foram o também ganhador do Oscar e entusiasta da comédia Billy Wilder, e Alfred Hitchcock. O mestre do suspense o ajudou, em 1977, a escrever Alta Ansiedade, paródia do gênero dedicada a Hitchcock. "Ele falou da iluminação e das performances. Disse que isso era boa direção. Mas eu nunca fui indicado."

A academia de cinema parecia gostar mais do trabalho de Brooks como roteirista. Ele demorou um tempo para ser convencido a fazer o primeiro trabalho na direção. Joseph E. Levine, produtor da Embassy Pictures, lhe pediu um diretor para Os Produtores. "Contrate-me, eu disse a ele." O estúdio mandou que Brooks mudasse o título inicial, Primavera para Hitler. Em contrapartida, ele exigiu fazer a montagem final do longa. O artista precisava disso para que, seis anos mais tarde, fizesse Banzé no Oeste. Quando um executivo da Warner se opôs a parte das cenas, Brooks pegou a lista de reclamações e jogou no lixo. O filme faturou US$ 119 milhões naquele ano. / TRADUÇÃO DE JOÃO FERNANDO

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