Enfim, Nan Goldin para os cariocas

O Museu de Arte Moderna do Rio abre amanhã ao público os slideshows A Balada da Dependência Sexual, Pulsação e O Outro Lado e a série de fotografias Paisagens, da norte-americana Nan Goldin, considerada uma das fotógrafas mais influentes da arte contemporânea. Ela não veio ao Brasil porque sua mãe, que tem 96 anos, está doente.

ROBERTA PENNAFORT / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2012 | 03h09

Quem não conhece o trabalho de Nan, a despeito de sua potência poética e fama internacional, certamente terá curiosidade de vê-lo pela controvérsia que o cercou há dois meses, quando o Oi Futuro, patrocinador do projeto, cancelou essa mesma mostra, marcada para janeiro em seu centro cultural do Flamengo.

Concluiu que parte das imagens não era apropriada para um centro cultural voltado à educação, por supostamente ferir o Estatuto da Criança e do Adolescente: relações sexuais, presença de crianças na cama com os pais, travestis em seu cotidiano.

Intitulada Salto no Fogo, é a maior exposição brasileira de Nan, que está nos principais museus do mundo, como o Pompidou, de Paris, e o MoMA, de Nova York. Sua obra mais conhecida, a Balada passou pelo Brasil na última Bienal, em 2010, sem esse estardalhaço.

Por conta da polêmica, o curador do MAM, Luiz Camillo Osorio, que buscou espaço em sua pauta para a mostra, se cercou de cuidados: além do aviso da classificação para maiores em cada sala e da presença de monitores, deixou alerta seu departamento jurídico, para evitar que "haja precipitações".

Ele espera que o público vá ao museu sem ideias preconcebidas. "Quem olhar vai tirar suas conclusões, como deve ser: de modo saudável, plural, democrático. As imagens não são pornográficas. Ela fala muito mais de afeto do que de sexo, mostra outras dimensões de relacionamentos que não são convencionais."

Adon Peres, curador, com Ligia Canongia, conta que o veto a Nan pelo Oi Futuro repercutiu muito na Europa. "Os jornais falaram da contradição brasileira, o país da liberação corporal", diz Peres, que mora em Genebra.

Os trabalhos são dos anos 70, 80, 90 e 00. A única série de classificação livre é Paisagens, que tem Jesus in Rio, uma imagem do Cristo Redentor enevoado, feita por Nan em 1997. É possível que ela venha para o encerramento - quer conhecer os artistas daqui que se opuseram à censura.

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