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Enfim, a biografia de Frank Sinatra

Autor lembra que cantor até fez parar de chover em show no Maracanã e anuncia sequência das memórias

Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2013 | 02h08

Três anos após seu lançamento nos Estados Unidos, chega às livrarias este domingo a biografia Frank, A Voz, de James Kaplan (Companhia das Letras, R$ 69), uma viagem de mais de 700 páginas pela primeira fase da vida do maior crooner que já passou pelo planeta. O livro vai do nascimento do artista, em Hoboken, New Jersey, até 1954, quando Sinatra ganha o Oscar por A Um Passo da Eternidade. Kaplan falou ao Estado ontem, por telefone, sobre a biografia e sua sequência.

Já há um título para o segundo livro das memórias de Sinatra?

JAMES KAPLAN - Sim. Ainda não está pronto, mas vai se chamar Sinatra - The Charmain of the Board. É um apelido que lhe foi dado por um radialista norte-americano chamado William B. Williams, que foi um importante broadcaster nos Estados Unidos nos anos 1950 e 1960 e que era grande apreciador da arte de Sinatra. Ele o apelidou assim por causa de sua posição no mundo da música e também por causa da ambição de Sinatra de controlar cada etapa de sua carreira profissional.

Nesse primeiro livro, Frank - A Voz, seu editor disse que o resultado fazia o leitor sentir o que era realmente ser Frank Sinatra. Foi essa sua intenção ou foi natural?

JAMES KAPLAN - Bem, eu queria... Sabe, essa foi a minha primeira biografia. Sou um romancista, tinha ajudado a fazer dois livros sobre celebridades, John McEnroe e Jerry Lewis. Esta foi minha primeira biografia, um formidável desafio. Eu não queria escrever uma biografia convencional, ou que fosse "seca" ou acadêmica. Queria dar uma narrativa forte, que pudesse carregar as forças de uma boa ficção, mas que fosse completamente verdadeira, até nos detalhes.

Há até alguns detalhes que são controversos, como por exemplo o tamanho do pênis de Sinatra. Como o sr. decide colocar um detalhe assim numa biografia?

JAMES KAPLAN - Eu não queria explorar nenhum lado sensacional de Sinatra. Há muitas biografias em inglês da vida dele e elas... A maior parte delas antes da minha era muito sensacionalista, muito escorada em escândalos: as conexões com a Máfia, crime organizado, sexo. A razão pela qual eu escrevi esse livro em primeiro lugar foi... Você conhece Jerry Lewis? Eu fiz um livro sobre Jerry, e ele foi um amigo muito próximo de Sinatra. E ele e eu somos grandes amigos agora e conversamos durante muitas horas sobre essa amizade com Sinatra. Eu acabei sentindo como se conhecesse Sinatra, ele acabou se tornando muito humano para mim. Durante o processo de pesquisa, eu saí para jantar com diversos músicos que tinham trabalhando com o cantor, e eu esperava deles fofocas e histórias sobre mulheres e a Máfia, mas em vez disso eles todos me falaram de quão genial ele era, o gênio musical que ele foi. Eu me dei conta que, se desse a dimensão desse gênio, seria um livro interessante. Há coisas que ajudam a dar a dimensão do homem que homens e mulheres admiravam. Pegue o aspecto físico dele: era baixinho, tinha cicatrizes no rosto, tornou-se careca muito jovem. Acho que ele nunca foi satisfeito com seu físico. E é preciso compreender o ambiente em que Sinatra nasceu e cresceu, nos Estados Unidos dos anos 1920 e 1930. Os gângsteres eram homens de poder. E Sinatra, não de forma elogiável, os admirava. Ele foi assim a vida toda. No novo volume, eu narro como ele se relacionava com o gângster Sam Giancana, que esteve profundamente envolvido na eleição de John Kennedy.

Em janeiro de 1980, Sinatra veio cantar no Maracanã. É um recorde absoluto de público até hoje, 175 mil pessoas.

JAMES KAPLAN - Sim. E a chuva parou para ele cantar! Foi um milagre!

Foi um momento-chave para o show biz do Brasil, porque até aquele momento não havia know-how para um show desse porte.

JAMES KAPLAN - Eu não sabia disso, mas faz sentido. Foi um momento muito importante tanto para o Brasil quanto para Sinatra. Foi a maior audiência para a qual ele cantou na carreira, ele amava o Brasil e ele e Jobim se adoravam, eram muito reverentes um com o outro artisticamente. Ele demonstrou grande sentimento por cantar no Brasil.

Gay Talese perpetrou uma frase clássica do new journalism dizendo que "Sinatra gripado é como Picasso sem tinta, Ferrari sem gasolina - só que pior".

JAMES KAPLAN - (Risos) Gay Talese é um grande amigo meu. Conversei bastante com ele para fazer meu livro e acho que ele escreveu o mais importante artigo sobre Sinatra (na revista Esquire). Talese admirava Sinatra e sofreu com ele, que tinha pouca paciência e era volátil. Não deu a Talese o tempo que este queria.

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