Encontro para pensar o ''Cinema Negro''

Você sabia que Burkina Faso, um dos países mais pobres do mundo, sedia um festival bienal de cinema que serve de vitrine para a produção do continente africano há quatro décadas? E que a Nigéria tem uma produção super fértil, com 300 filmes por ano, a despeito da falta de salas de exibição?

Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

08 de novembro de 2010 | 00h00

Quem informa e provoca é Zózimo Bulbul, ator e agitador cultural que há três anos realizada, no Rio, neste mês da consciência negra, o 4º Encontro de Cinema Negro - Brasil, África e Caribe. A atual edição, que vai de hoje a domingo, homenageia o Oeste da África pelos 50 anos de independência de países como Senegal, Mauritânia, Costa do Marfim e Mali.

Vai reunir mais de 50 filmes em pré-estreia, vindos da África (Chade, Senegal, Costa do Marfim, Guiné, Cabo Verde, Congo, África do Sul, Nigéria) e de países com forte marca da cultura lá nascida, como Cuba, Haiti e Guadalupe, entre documentários e histórias de ficção.

São filmes que não chegariam ao público se não fosse pela iniciativa do Centro Afro-Carioca de Cinema de Bulbul, ativista pelos direitos dos negros desde os anos 1960. "No Brasil conhecemos os Estados Unidos e a Europa, mas não sabemos nada da África. É para isso que faço esse encontro, para o preto discutir o preto. Representamos 70% da população e não sabemos quem somos", ele diz. "Tem muito preto fazendo cinema. Chega de Cidade de Deus, feito por branco sobre a gente."

O Brasil também está representado. Consagrado em Gramado, Bróder, de Jefferson De, filmado no Capão Redondo, abrirá os trabalhos, hoje à noite, no cinema Odeon. Antes, será exibido O Papel e o Mar, curta de Luiz Antonio Pilar que tem Bulbul no elenco e trata de um encontro fictício entre João Cândido, líder da Revolta da Chibata, e Carolina Maria de Jesus, catadora de papéis autora de livros como Quarto de Despejo.

O encontro ocupa, além do Odeon, o Oi Futuro de Ipanema, o Centro Cultural Justiça Federal, o Espaço Tom Jobim e o Armazém 6 do cais do porto. Não são só filmes: estão programados debates, e esperados cineastas brasileiros e africanos; entre eles, Mahamat Saleh Haroun, nascido no Chade e radicado na França. Haroun, que já se destacara no Festival de Veneza em 2006, foi premiado em Cannes este ano com seu filme Um Homem que Grita, que tem como ambiente a guerra civil em seu país.

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