Encontro funde Castro Alves e Assis Valente

Juntar o poeta Castro Alves e o compositor popular Assis Valente não parece tarefa fácil. Em comum, aparentemente, apenas a origem baiana. Mas aí estão o ator Pascoal da Conceição e o violonista Luiz Gaiyotto para mostrar, nesta quinta-feira, no Sesc Vila Mariana, a possível união entre o poeta e o compositor. Intercalando poemas de um e músicas do outro, eles encerram a série Dois em Um do Sesc, que durante o mês de junho promoveu o encontro entre diferentes linguagens."Dentro da canção de Assis, há uma constante contradição entre a alegria e a tristeza, e o mesmo ocorre com Castro Alves", explica Pascoal. "E são dois caras que tem um sentimento nacional muito grande, que falam coisas parecidas em momentos diferentes."Castro Alves, aliás, foi uma das principais influências de Assis. Em sua curta e atribulada vida, a presença do poeta foi constante. A admiração começou na infância pobre do compositor, que para conseguir dinheiro recitava poemas de Castro Alves e Guerra Junqueira nas praças de Salvador. Para o show, Luiz Gayotto transformou Pelas Sombras, poema de Castro Alves, em "quase um rap". "Fizemos isso porque sabemos que a poesia tem muito a emprestar à vida, mas o Poeta saiu da rua e está longe dos chamados populares. Nós atores, músicos e poetas temos que entrar em muitos lugares, o máximo que pudermos", conta Pascoal. Multidisciplinar - Partiu do próprio Sesc o convite para que Pascoal montasse o espetáculo. Mesmo envolvido em inúmeros projetos - está encenando a peça Os Malefícios do Tabaco, montando com Cláudia Abujamra o espetáculo Dizer Sim e desempenhando Dr. Abobrinha de O Castelo Rá-Tim-Bum -, Pascoal aceitou a proposta e, para acompanhá-lo, chamou o músico Luiz Gayotto, que acaba de lançar seu segundo álbum. "Eu achei que seria legal transar com a música, brincar com ela. A formação de um ator é sempre multidisciplinar", explica.O fato do show estar marcado para o dia 29 de junho, dia de São Pedro, incitou sua imaginação. "A gente tem que ter coragem de entrar no mito. Essa tecnocracia da modernidade está quase proibindo as manifestações de caráter mítico", diz o ator. Por isso, pensando no significado da figura de São Pedro, que além de guardião, é padroeiro de viúvas e mestre da chuva, haverá um ritual no espetáculo. "Irei lavar uma estátua do santo para fazer chover em São Paulo, que já está ficando seca", finaliza.Pascoal da Conceição e Luiz Gayotto Quinta-feira, às 20:30 no Auditório SESC Vila Mariana (Rua Pelotas, 141); Ingressos: R$ 4,00, R$ 3,00 (usuário) e R$ 2,00; Informações: 5080-3000.

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