Encontro feito de música

Maria Bethânia e Nana Caymmi falam sobre o filme Rio Sonata, de biografias, divas e carreiras

JULIO MARIA / RIO, O Estado de S.Paulo

29 de maio de 2013 | 02h11

Nana Caymmi de um lado, Maria Bethânia de outro e um gravador no centro daqueles encontros que se vê poucas vezes na música brasileira. As duas vozes são poderosas também quando falam. Nem sempre no mesmo tom, por vezes colidindo em acidentes de percurso surpreendentes, a nuvem que paira sobre as cabeças dos que estão na sala da gravadora Biscoito Fino, em Humaitá, no Rio, é sustentada por uma impiedosa honestidade que sobretudo Nana tem consigo mesma. Bethânia está lançando um documentário sobre Nana por seu selo Quitanda, um mimo que a baiana tem para garimpar pedras nas quais acredita de olhos fechados. Nana é uma delas. Rio Sonata, um documentário do cineasta franco suíço Georges Gachot sobre a filha de Dorival Caymmi, é seu novo produto, com distribuição pela Biscoito. Gachot, conhecido de Bethânia desde 2005, quando a fez personagem central de outro documentário, Música É Perfume, deve ter sentido as orelhas arderem como fogo na tarde de ontem.

A primeira sensação ao ver o resultado foi de emoção. Ao perceber-se na tela, Nana sentiu que Gachot chegou a seu íntimo, que sua insistência com certos temas fazia sentido. Mas um incômodo vem à tona no momento em que Nana está frente a frente com, no caso, sua "produtora" Bethânia. Ela não gosta do filme tal qual ele foi finalizado: "Eu queria matá-lo (Gachot) quando vi que ele mudou a primeira versão que havia me mostrado."

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