Encontro debate a mídia para crianças e adolescentes

Produtores, estudiosos e representantes da televisão pública, aberta e paga se reúnem a partir desta segunda-feira, no Rio, na 4ª Cúpula Mundial de Mídia para Crianças e Adolescentes, encontro quadrianual que acontece pela primeira vez na América Latina. "O diálogo Norte/Sul é o grande tema dessa edição, que tem como lema ´Mídia de Todos, Mídia para Todos´", diz a coordenadora-geral do evento, Regina de Assis."Queremos debater com o Hemisfério Norte a visão que eles têm do Hemisfério Sul e o intercâmbio das produções, hoje incipiente ou acontecendo muito mais deles para nós que ao contrário". Ele destaca que "a criança e o adolescente são o foco da maior parte das emissoras" e é preciso debater que tipo de conteúdo veicular para este público. Os debates começam na terça-feira e se dividirão em quatro temas, um a cada dia. Identidade e multiculturalismo; mercado, audiência e valores; desafios e alianças pela qualidade; e compromisso para o presente e o futuro serão discutidos em mesas-redondas que se estenderão com a participação de profissionais da Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos (pioneiros na programação para o público não adulto), China, Colômbia, México, Albânia, África do Sul, Chile, Panamá, Argentina e Austrália, onde o encontro aconteceu pela primeira vez, em 1995."Hoje o público infanto-juvenil é um foco do mercado, é preciso discutir se a programação televisiva que lhes é oferecida visa à responsabilidade social. Há experiências boas nas emissoras públicas e privadas, mas não é a tônica em todas elas", diz a diretora da TV Educativa do Rio, Beth Carmona, que responde pela coordenação do encontro junto com Regina de Assis. "O grande debate se dá em torno de como criar uma programação adequada à criança e ao adolescente, já que todos concordam que isso é necessário - os pais, os professores e o próprio público alvo." Tanto Regina quanto Beth destacam que a divisão entre programas educativos e de entretenimento não faz sentido hoje, quando os dois objetivos são perseguidos. "Sabemos que eles estão diante de uma televisão o dia inteiro e absorvem todas as informações que lhes são dadas. Não faz sentido destinar um horário específico, o cuidado deve dominar toda a programação", diz Regina.Beth Carmona acrescenta que a TV pública, por não ter compromissos imediatos com o lucro, pode arriscar mais na programação e lembra exemplos bem-sucedidos, como ´Castelo Rá-TimBum´, da TV Cultura, e a ´Turma do Pererê´, produzida pela educativa. "Mas o ´Sítio do Picapau Amarelo´, da Globo, também deve entrar nessa lista", ressalta.Esses temas serão discutidos por profissionais da área como a presidente do Summit (sigla em inglês para a Cúpula), Patrícia Edgar, uma australiana que trabalhou durante décadas com a recuperação da auto-estima de crianças de seu país; o diretor da Cesamo Workshop, Gary Knell, do pioneiro Vila Sésamo, considerado o primeiro programa infantil realizado no mundo; e a criadora da novela infantil argentina ´Chiquititas´, Patrícia Maldonado, além de coordenadora da pesquisa da Unicef, A Criança e a Mídia, Cecília von Felitzen.

Agencia Estado,

18 de abril de 2004 | 20h40

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