Encontro de Gerações

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Em Gramado, Paulo José e Selton Mello emocionam com 'O Palhaço'

Luiz Carlos Merten /GRAMADO, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

Duas gerações de grandes atores nacionais encontraram-se no palco do Palácio dos Festivais, na sexta-feira à noite, na abertura do 39ª Festival do Cinema Brasileiro e Latino de Gramado. Paulo José entregou a Selton Mello o prêmio Cidade de Gramado, que o ator recebeu por ter dado um rosto ao cinema do País desde os anos 1990, naquilo que se chamou de "retomada".

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Paulo e Selton interpretam pai e filho em O Palhaço, que o segundo dirigiu e foi o filme que inaugurou, fora de concurso - como parte da homenagem - a maratona na serra gaúcha, que vai até o próximo sábado.

Selton foi emocionante. Lembrou que seu sonho sempre foi o cinema. Se pudesse, iria até a rodoviária de Gramado e pegaria um ônibus para 1992, para tranquilizar o garoto ansioso que foi, dizendo-lhe que, quase 20 anos e 30 filmes depois, estaria ali, no palco, sendo homenageado. Impossível não se emocionar também com O Palhaço.

O segundo longa de Selton - após Feliz Natal, bem menos satisfatório - já havia sido premiado em Paulínia (quatro Meninas de Ouro, incluindo melhor direção). É um filme muito bonito e delicado, mas que justamente por isso talvez seja um tanto difícil de vender para um público ansioso por emoções mais fortes. "Vender", no caso, não deve ser entendido pejorativamente, como vil comércio. O espectador, afinal, precisa ser motivado para comprar o ingresso.

De todos os festivais que se realizam no Brasil - e são muitos -, Gramado é o que tem a curadoria mais presente. O crítico José Carlos Avellar e o documentarista Sérgio Sanz, que fazem a seleção dos filmes das mostras competitivas brasileira e latina, privilegiam o cinema de autor e gostam de escolher e projetar os filmes de forma a que dialoguem entre si.

Isso foi particularmente sensível na primeira noite, quando, após O Palhaço, foi exibido o primeiro longa brasileiro da competição: Riscado, de Gustavo Pizzi. Paulo José e Selton Mello interpretam palhaços de um circo mambembe. O segundo duvida da sua vocação, como a atriz de Riscado também se interroga sobre as suas chances de fazer bem o que gosta (e obter reconhecimento).

Houve críticas à seleção de Riscado porque o filme foi premiado no Festival do Rio, há quase um ano. Avellar, no jornal do festival, disse que a ideia é alavancar filmes inéditos com datas próximas de lançamento. Riscado está apontado para estrear em setembro. O elo foi mais tênue entre os filmes da segunda noite - o argentino Medianeras, de Gustavo Taretto, que a Imovision vai lançar em 2 de setembro, e Ponto Final, de Marcelo Taranto.

Ambos tratam da cidade grande - Buenos Aires, no filme argentino, é onde vivem os protagonistas, ambos fóbicos. Um designer de sites e games e uma arquiteta que ganha a vida como vitrinista. Ambos discutem a cidade, cada um do seu canto, e chegam à conclusão de que as desigualdades arquitetônicas expressam a estrutura social. Medianeras é sobre o lento processo de aproximação desses solitários, interpretados por Javier Drolas e Pilar López de Ayala, a Angélica do Estranho Caso de Manoel de Oliveira (e também uma das atrizes de Lope, de Andrucha Waddington). O filme, exibido no Panorama, em Berlim, é encantador.

CENSURA

Serbian Film

Duas entidades, a Associação Brasileira de Críticos de Cinema e a Associação de Críticos de Cinema do Rio Grande do Sul, promoveram sábado um debate sobre a campanha do DEM para proibir Serbian Film. A Censura voltou? O representante do Ministério Público, Davi Pires, disse que o filme recebeu a indicação de proibido para menores de 18 anos. Isso não impede o DEM e quem quer que seja de continuar pedindo a interdição, mas existem instrumentos legais para lutar pelo direito do espectador, contra sua tutela. É muito diferente do tempo da censura do regime militar, quando a liberação de um filme dependia muitas vezes dos humores do censor.

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