Elena Kuroda/ Divulgação
Elena Kuroda/ Divulgação

Encontro com o desconhecido e o inusitado

Em sua 11ª edição, o Festival de Linguagens põe as crianças diante de um surpreendente cardápio de atrações

Daniel Shenker/ Rio, Especial para O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2013 | 02h14

O Festival Internacional Intercâmbio de Linguagens (FIL), iniciativa de Karen Acioly que chega à 11.ª edição, supera a mera reunião de espetáculos destinados à plateia infanto-juvenil. Mais que isso, a intenção é colocar o público diante do desconhecido ou do inesperado por meio de uma programação que alarga os limites da produção artística para crianças.

"Prestamos atenção no que não é tão percebido. Atualmente, verifico tendências, como a desconstrução do espaço cênico tradicional; a constância de trabalhos que investem num público participativo sem manipulá-lo; e a valorização de montagens mais voltadas para acolher a plateia do que para atrair uma grande quantidade de espectadores", enumera Acioly. Até domingo, o FIL toma conta de vários espaços do Rio: Teatro Municipal do Jockey, Oi Futuro Flamengo, Oi Futuro Ipanema, Midrash, Teatro Ipanema, Teatro Municipal Café Pequeno e Teatro Carlos Gomes.

Um exemplo da determinação de Karen Acioly em fugir do lugar-comum é no destaque à ópera. Prestigiada em edições anteriores, ganha agora uma mostra composta por um espetáculo brasileiro (Ópera Desde Criança, atração do dia 28), um canadense (As Roupas do Imperador, dia 27) e uma coprodução Brasil/Inglaterra (O Comedor de Nuvens, amanhã e quinta).

O FIL tem atrações singulares. Sienta la Cabeza (dias 28 e 29), da Espanha, com duas cabeleireiras e um DJ, busca a participação do público, convidado a mergulhar num universo excêntrico. "Os artistas fazem cabelos de espectadores voluntários. É como se alguém inventasse uma dramaturgia literalmente na cabeça do outro", relata Acioly.

Da Dinamarca vieram duas montagens: Vento, da Cia. Madame Bach, e Música Que Vem do Céu, da Cia. Teater Refleksion. Ambas estão ligadas pela presença de Lisa Becker - no primeiro caso como diretora, no segundo, como atriz - e pelos projetos de natureza sensorial. "Nos dois trabalhos, o silêncio é o elemento para resgatar a sensibilidade num momento em que o mundo acena com excesso de estímulos", realça Becker. Os espetáculos já passaram pelo FIL, mas Vento poderá ser visto no Festival Internacional Paideia de Teatro, em São Paulo, dias 28 e 29.

Entre os espetáculos nacionais cabe mencionar O Mundo Encantado de Buarque de Holanda (dias 28 e 29), encenação com 11 músicas de Chico Buarque; Nadistas e Tudistas (dias 28 e 29), adaptação de Renata Mizrahi para o livro de Doc Comparato em montagem assinada por Daniel Herz; e Pequena Coleção de Todas as Coisas (dias 28 e 29), da Cia. Dani Lima. O teatro brasileiro surge ainda representado pela homenagem ao Sobrevento, grupo dedicado à pesquisa da animação de bonecos, formas e objetos. Nesta edição, a companhia mostra A Bailarina (dias 26 e 27), Mozart Moments (dias 28 e 29), Meu Jardim (dias 28 e 29) e O Anjo e a Princesa (dias 26 e 27), focando as crianças menores. "O Teatro para Bebês revela os preconceitos que temos com a primeira infância e com afetividade, carinho, amor, ternura - palavras que não têm uma utilidade prática e que, até mesmo por isso, são tão importantes", ressalta o diretor Luiz André Cherubini.

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