Emoções em alto-mar

Longa inspirado em série de TV é rodado em navio com passageiros

JOÃO FERNANDO / MACEIÓ, O Estado de S.Paulo

03 de abril de 2013 | 02h12

Trabalhar enquanto todos ao redor estão se divertindo é a sensação do elenco de Meu Passado me Condena, adaptação homônima do programa de humor do Multishow, escrito por Tati Bernardi,  para o cinema, cujas filmagens aconteceram em um transatlântico que levou os atores do Rio de Janeiro até a Itália, com paradas em capitais do Nordeste brasileiro, como Maceió, onde o Estado embarcou para acompanhar parte das cenas.

"É melhor estar cansada aqui do que no meio do sertão", compara Miá Mello, protagonista do filme ao lado de Fábio Porchat. Assim como no seriado, o casal principal, que tem os mesmos nomes dos atores, acaba de se conhecer e se casa depois de um mês. Na lua de mel, as diferenças surgem e eles começam a relembrar os relacionamentos do passado, além das eventuais visitas de ex-namorados. Na TV, os dois foram para uma pousada no interior, cujas sequências foram gravadas em Itaipava, região serrana no Rio. No filme, o destino se transformou no cruzeiro.

"Foi um mês e meio em Itaipava. Lá, a gente estava entulhado, três pessoas por quarto, um banheiro para oito. Era uma perrenguinha", conta a diretora Julia Rezende, que roda seu primeiro longa. Ao final de cada trabalho, a equipe vai se divertir no navio Costa Favolosa - o mesmo em que Roberto Carlos fez sua última turnê em alto-mar -, que tem cassino, boate, spa e academia e ginástica.

"Vou sair daqui magra, linda e culta", dizia Inês Vianna, que vive Suzana e aproveita o tempo livre para adaptar um livro para o teatro e se exercitar. A personagem também foi adaptada para o cinema. No seriado, ela era a dona da pousada, que vivia às turras com o ex-marido, Wilson (Marcelo Valle) para tentar melhorar os lucros do negócio, que não ia bem. Na telona, os dois são funcionários do navio, mas continuam entre o amor e o ódio e tentando arrancar dinheiro dos turistas. "Eles dão pequenos golpes. Pensam em vender os objetos do 'achados e perdidos' do navio, cobram para dançar com as velhinhas. A Suzana também joga tarô e rouba dinheiro dele."

Por estar vestido como funcionário, Marcelo Valle é confundido com os tripulantes. "Saio do set de uniforme e muitos gringos me pedem informação. Eu explico que não trabalho aqui", revela. Fábio Porchat também chama a atenção dos passageiros. Abordado pelos brasileiros, que pedem para tirar fotos, ele desperta a curiosidade nos estrangeiros. "Um alemão veio tirar a dúvida para saber se eu era famoso", diverte-se o ator, que mandou por e-mail as ideias para esquete do Porta dos Fundos nos 20 dias em que esteve a bordo.

Rodar um filme em um navio com cerca de 3.800 turistas e 1.100 tripulantes também gera dificuldades. "A cada dia, vêm novas informações e precisamos nos adaptar ao cotidiano do navio e dos passageiros. Às vezes, programamos uma cena e, quando chegamos lá, está acontecendo uma aula de ginástica cuja música interfere", avalia a diretora, que conseguiu reunir a família na equipe. Mariza Leão (De Pernas pro Ar), a mãe, é a produtora, a tia Heloisa Rezende assina a produção executiva, e a irmã Maria Rezende é a montadora. O filme, aliás, está em fase de montagem desde as primeiras cenas, pois uma cabine do navio foi transformada em ilha de edição. A estreia do longa está prevista para outubro, quando a segunda temporada da série chega à TV.

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