Emoção pura de Billy Ray Cyrus

Há 21 anos, no início da operação Tempestade no Deserto, no Iraque - a guerra de George Bush (pai) -, Billy Ray Cyrus compôs e gravou uma canção dedicada às tropas norte-americanas, Some Gave All. Decorrido todo este tempo, Billy Ray gravou um CD inteiro, I"m American, de novo com canções que falam de militares que voltam e outros que morrem nos campos de batalha. Antes que você, se por acaso for contrário às campanhas militares dos EUA, descarte o CD como "patriótico", é bom saber que há uma genuína emoção em I"m American, que chega nesta semana.

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

08 de agosto de 2011 | 00h00

O lançamento é da Disney Records, que viabilizou a entrevista, feita por telefone. Billy Ray é pai de Miley Cyrus, na vida e na série Hannah Montana. Ele conta que teve oportunidade de comprovar o sucesso do show no Brasil. "Estava num voo cheio de brasileiros que vinham da Disney. Todos queriam tirar fotos comigo. Sabiam até falas de cor." Sobre a filha, ele só tem elogios. "Miley é muito talentosa e profissional. É sempre um prazer compartilhar a cena com ela. E o fato de sermos também colegas fortalece o vínculo."

Billy Ray gravou, anos atrás, uma faixa num CD de Chitãozinho e Xororó. É a versão brasileira de seu sucesso romântico, She"s Not Crying Anymore. "Foi uma experiência muito legal. A propósito, como vão eles? Não ficamos nos falando, mas hoje em dia é fácil ter notícias através da internet." Ele anuncia que tenta incluir o Brasil, e o interior de São Paulo, na turnê mundial que está iniciando, a começar pela Europa.

Sobre o CD, Billy Ray se encanta com a observação do repórter. Em1987, Francis Ford Coppola fez um filme chamado Jardins de Pedra, sobre integrantes do cerimonial de honra do Cemitério Nacional de Arlington, em que são enterrados os heróis norte-americanos. Coppola usa o filme para, de certa forma, enterrar o Vietnã. Há um clima solene e fúnebre em Jardins de Pedra. A tristeza dá o tom. É a mesma tristeza que se encontra em Some Gave All, sobre os soldados que não voltaram.

"Alguns deram tudo, até a vida. O tom não poderia ser outro. Essa tristeza cala fundo nas audiências dos EUA, acredito que de uma maneira mais profunda do que no Brasil. Mas todos tempos nossos mortos. E nossos heróis, para enterrar." Billy Ray lembra de uma profunda experiência mística em Cabul, em 2009, quando se apresentava para as tropas. "Não quero ser piegas, mas sempre rezei a Deus, pedindo-lhe que usasse minha vida e minha música para garantir o projeto que tinha para mim. Nunca tive essa sensação tão forte quanto ali, naquele momento. A emoção dos rapazes foi de arrepiar."

A balada Stripes and Stars, que celebra a bandeira, apresenta um dueto com Amy Grant. "Escutei a voz dela cantando comigo desde o começo." Nem todas as canções são fúnebres. Há as que celebram o desejo de voltar, como Runaway Lights. E outras, como We Fought Hard, que retratam o duro aprendizado de dois irmãos no exército. Billy Ray sabe que não faz música para todos. "Faço para tocar a vida das pessoas e apoiar as tropas. Os rapazes muitas vezes dão a vida sem saber por que estão lutando, e isso é triste."

BILLY RAY CYRUS

I"M AMERICAN

Walt Disney Records. R$ 19,90

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.