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Fábio Porchat
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Ema

Comer é das três melhores coisas da vida. Se tem algo que me deixe de mau humor, comer mal talvez seja a pior delas, porque, nesse caso, a culpa foi minha. Com o trânsito, a culpa é de muita gente, com a política também, mas pra comer, fui eu que optei por ir naquele determinado restaurante, ou escolhi aquele prato específico. E depois que você come, não tem mais o que fazer, tem que esperar até ter fome de novo.

Fábio Porchat, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2015 | 02h06

Estou em cartaz aqui em São Paulo lá no Teatro Frei Caneca, de sexta a domingo, o que significa que passo metade da minha semana aqui. Comendo. São Paulo tem restaurantes sensacionais e é conhecida por isso. Gosto de descobrir novos lugares e sempre estou pedindo dicas. Viagem e comida são assuntos que me interessam. Gosto de pegar aquele guia de restaurantes e ir de um em um, provando aqueles eleitos os melhores. Concordo com uns, discordo de outros, mas todos sempre são muito bons.

Há um ano, mais ou menos, a Miá Mello, que faz a peça comigo, me falou de um restaurante: Ema. Uma grande amiga dela era a chef de lá e a Miá me disse que eu não podia deixar de ir, que era maravilhoso e tal... Bom, sempre vou nas dicas da Miá, mas por ser de uma amiga pensei que ela podia estar influenciada. Foi aí que começou a minha saga. O restaurante só abre para o jantar de terça a quinta, só tem 30 lugares e a fila de espera é de uma semana. De terça a quinta, estou sempre no Rio e são raros os dias em que estou por aqui e não trabalhando à noite. Tentei de todos os jeitos, fui lá, liguei marcando hora, pro dia, pra uma semana, nada! Lotado! Aquilo foi mexendo tanto comigo, que resolvi apelar, liguei pra Miá e falei: ela não é sua amiga, fala pra ela me colocar pra dentro! E o que aconteceu? Nada, tava lotado mesmo, ela não podia fazer nada. Foi quando ela me ligou, dizendo que havia caído uma reserva! Eu quero! Fui. A expectativa era muito alta e isso sempre tende a atrapalhar qualquer avaliação.

Comecei tomando uns drinks com uma amiga e aí, chegaram as entradinhas. Meu Deus. Polvo, lula, batatinhas, tudo feito de uma forma diferente e surpreendente. Os sabores tomando conta da sua boca. O que posso dizer é que quando chegou o prato principal, achei que nada seria possível bater o que já havia sido provado. E, então, comi o atum selado. Senhor rei, pai da humanidade, que coisa sensacional. Eu só fui perguntar para a minha amiga o que ela estava comendo, depois da última garfada do meu, que eu não queria que tivesse existido. E quando reparei nela, o seu rosto era de paz.

Perguntei o que tinha acontecido e ela me respondeu: prova essa costela. Provei. Entendi perfeitamente. Terminei o prato dela e o garçom me perguntou se queríamos sobremesa. Eu disse que queria qualquer coisa que saísse daquela cozinha. Valeu a pena esperar. E se você ainda não foi ao Ema, está perdendo o melhor restaurante de São Paulo. Já marquei minha volta: novembro de 2016. Mas vale cada segundo.

E-mail: fabio.porchat@estadao.com

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