Em vez de canções de ninar, canções para detonar o parquinho

Sem bases, sequências ou samples. É tudo no fonc-piui-tiruli-splash. Música de Brinquedo é "daquelas coisas que a gente faz que (as pessoas) não sabem em que prateleira colocar, em que seção da loja de discos", diz John Ulhoa. Ele conta que, enquanto trabalhava na produção, punha um boneco de Caco, o Sapo (personagem do Muppet Show) em cima do computador para dar inspiração. O mais louco é que o Pato Fu não fez versões, mas executou integralmente os arranjos consagrados de hits radiofônicos quase esquecidos. Poderíamos definir então o resultado como macaquice? Sim, e isso seria lisonjeiro para o grupo. É macaquice, mas não é paródia. Não há sarcasmo nas versões, e sim reverência. O híbrido que resultou - música para criança que alista adultos e música de adultos que seduz crianças - é o próprio cerne do trabalho, sua essência e proposição. O Pato Fu não compartilha o desprezo que nós, críticos, nutrimos para com certas coisas da indústria. Prefere pensar que há, em tudo, uma certa dialética social, e se dispõe a ressaltar essa qualidade. No caso de Música de Brinquedo, o reforço infantil serviu para tornar essa tarefa ainda mais divertida - em vez de canções de ninar, canções para detonar, como na deliciosa versão de Live and Let Die.

Crítica: Jotabê Medeiros, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2010 | 00h00

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