Em trilha de ´Sassaricando´, dupla exalta turma do alambique

Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta lançam disco que dá o tom do musical

Agencia Estado

03 de julho de 2007 | 14h39

Sassaricando tem um bloco dedicado àsátira da bebedeira, mas a turma do alambique certamente nãofreqüenta só as marchinhas. Está presente em vários gênerosmusicais, do rock à moda de viola. Cachaça Dá Samba (Deckdisc), terceiro álbum da dupla Alfredo Del-Penho e Pedro Paulo Malta,destila um bom repertório que cambaleia um pouco além do samba,incluindo a clássica Moda da Pinga (Laureano), a emboladaQuem não Sabe Beber (Elino Julião/Severino Ramos), e uma rarae hilária cançoneta de 1913, Delírio Alcoólico, assinada porum tal E.Briu, pseudônimo de um autor que nenhum pesquisadorconseguiu identificar. Tem também quatro sambas de Noel Rosa(Por Esta Vez Passa, Maria Fumaça, Pra Esquecer e É BomParar) na seqüência, Candeia, Zeca Pagodinho, Bide, Moacyr Luz,Manezinho Araújo, entre outros. O CD surgiu de uma temporada de shows que a dupla fezpor encomenda da Cachaçaria Mangue Seco, no centro histórico doRio. A pesquisa de repertório foi feita por Del-Penho com LuisFilipe de Lima e Henrique Cazes. Eles estão com a dupla neste eno CD anterior, o ótimo Lamartiníadas (2005), todo dedicado aodivertido cancioneiro do versátil Lamartine Babo (1904-1963).Para Cachaça Dá Samba, eles também contaram com o auxíliofundamental dos experts Paulo César de Andrade e CristinaBuarque. O humor que a dupla explora, uma constante em seutrabalho, não se restringe às letras dos sambas, e outrosgêneros que ambos interpretam, mas emerge também dos arranjos eprincipalmente na forma de cantar. Como lembra Malta, o canto dosamba em dupla é diferente da música caipira e um prato cheiopara fazer humor, como experimentaram os célebres Ciro Monteiroe Dilermando Pinheiro. "A letra nem precisa ser jocosa, mas aprópria forma de um atravessar o outro é cômica, inusitada", diz exemplificando com Falso Rebolado (Jorge Costa/VenâncioCarvalho), que os dois gravaram no álbum de estréia, DoisBicudos (2004). "De uns tempos para cá você tem cada vez mais acesso aesse material antigo. Acho que essa questão é fundamental, poderchegar a essa turma, a esse repertório maravilhoso. São caminhosinesgotáveis", diz Malta. Del-Penho, que conheceu Malta no barBip Bip, em Copacabana, acredita que esse tipo de humor foi seperdendo com a evolução das técnicas de gravação. "As pessoaspassaram a ficar mais preocupadas com a perfeição formal doresultado e isso talvez tenha tirado a liberdade do canto",aponta o cantor.O repórter viajou a convite da produção do show

Tudo o que sabemos sobre:
Sassaricandotrilha

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.