Em torno de Milton, vozes se unem pelos direitos humanos

Show de mais de 3 horas reuniu elenco heterogêneo e comoveu uma multidão

Lauro Lisboa Garcia, O Estado de S.Paulo

14 de dezembro de 2010 | 00h00

Uma comemoração tripla reuniu 15 mil pessoas na Praça da Estação anteontem, em Belo Horizonte, durante 3 horas e 10 minutos de show. No palco, um elenco heterogêneo de raças, gerações, estilos musicais e origens diferentes, representando o Nordeste (Paraíba, Pernambuco e Bahia) e o Sudeste (Minas, São Paulo e Rio), cantou e comoveu a multidão em homenagem a Milton Nascimento, aos 113 anos da capital mineira e aos 62 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

Ovacionado pelos fãs, como se previa, Milton só cantou no bloco final do grande encontro, que contou com uma afiada banda fixa de dez músicos. Antes, porém, teve canções de seu repertório lembradas por Sérgio Ricardo, Chico César, Arnaldo Antunes, Elza Soares, Margareth Menezes, Luiz Melodia e Elba Ramalho. Os outros convidados - Fernanda Takai, Lô Borges, Lenine e Pablo Milanés - voltaram para cantar com ele.

Artista múltiplo e carismático, o brincante Antônio Nóbrega foi o mestre de cerimônias - cantou, dançou, fez malabarismos e recebeu os convidados. Abriu o show coerentemente exaltando a mestiçagem brasileira. Não por acaso, mais adiante Arnaldo Antunes impressionou com sua Inclassificáveis, que trata do mesmo assunto. Ele com Nada Será Como Antes e Chico César com Cálix Bento foram os que se deram melhor nas canções de Milton.

Pontos altos. Arnaldo também foi protagonista de um dos pontos altos do show, com Socorro, cantado em coro pela multidão. Outro que deixou certificado de impressionante popularidade foi Lenine, contrariando quem acha que artistas como ele e Arnaldo só interessam à elite e que o "povão" não sabe apreciar música boa. Foi comovente (para ele e para o público) o momento em que cantou sua Paciência com Milton. Encontros e Despedidas ganhou significado especial na voz de Bituca naquela praça, ponto de partida dos trens para o interior.

Durante o tempo da apresentação de Lô Borges (em muito boa forma) caiu um pé d"água, mas a multidão não se intimidou e vibrou com Paisagem da Janela e O Trem Azul. Outro momento de grande beleza foi quando Milton cantou Yolanda com Milanés.

Com qualidade de som irretocável e roteiro bem amarrado de canções em que a diversidade humana e algumas questões sociais tiveram lugar, o show fluiu em clima de confraternização, Ao lado de todos os convidados, Milton encerrou a festa com Maria, Maria. A multidão se dispersou querendo mais, após mais de três horas. O show integraria a Feira Música Brasil 2010, mudou de mãos, mas a FMB manteve o apoio.

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