Evelson de Freitas/Estadão
Evelson de Freitas/Estadão

Em ‘Shrek, o Musical’, Burro vira o astro do pântano

Melhor amigo do ogro verde dos cinemas é a sensação do espetáculo

Fernanda Araújo, O Estado de S. Paulo

12 Setembro 2013 | 20h17

Chegado em um mulherão, não foi à toa que o burro se apaixonou pela dragona roxa. Mas não é só na preferência do porte físico que o orelhudo é diferente. Carismático, o personagem, vivido por Rodrigo Sant’Anna,  rouba a cena de Shrek – O Musical, que estreia nesta sexta (13), no Teatro Bradesco. São dele as principais falas, conquistando a empatia imediata da plateia.

Versão para os palcos da famosa franquia da DreamWorks, o espetáculo nasceu na Broadway e logo ganhou versão brasileira. “Criamos nosso produto, com cenário, figurino, tudo nacional. E adicionamos novidades, como o encontro de Fiona e Shrek na infância ”, conta o diretor Diego Ramiro, que dirigiu outros musicais, como O Médico e o Monstro.

De fato, há novidades. As letras das músicas, por exemplo, foram traduzidas por Claudio Botelho, veterano na função, e combinam com a nova história – mesmo assim, durante a temporada carioca, a versão das canções foi criticada. No entanto, elas se revelam fundamentais nas novas cenas, como o drama de Fiona, que enlouquece riscando os dias na parede da torre, enquanto aguarda a vinda do príncipe encantado.

A montagem também inclui uma revelação fabulosa sobre o minúsculo Lord Farquaad (Felipe Tavolaro). De saia safadinha de veludo, o aspirante a rei tem seu passado exposto quando um primo rancoroso convida seu pai para o casamento com Fiona.

Fiona bipolar é interpretada por Giulia Nadruz, que substituiu Sara Sarres ainda no Rio. Já Diego Luri, o intérprete de Shrek, garante ser bastante parecido com o ogro: grande, de ombros largos e estabanado. Mas, nos bastidores, a conversa é um pouco diferente. “Ele é todo certinho, não resmunga de ficar preso à máscara entre uma sessão e outra enquanto os colegas se divertem pelo shopping e ainda sai perfumado da prótese de enchimento que usa por 12 horas”, conta Lúcia Cavalcanti, chefe das camareiras, sobre o disciplinado rapaz.

As referências a outras histórias e peculiaridades também estão presentes. Alice (aquela do País das Maravilhas), por exemplo, aparece no pântano e confunde o burro com seu colega Totó. E o burro também tenta se conectar a um cacto, feito um Avatar.

‘Fiz o máximo para não criar um personagem careteiro’, diz ator Rodrigo Sant’Anna

Conhecido do público por interpretar a personagem Valéria – dona do bordão ‘Ai, como eu tô bandida’ – no programa Zorra Total, o ator Rodrigo Sant’Anna, está acostumado a receber crianças em seus shows, mas diz que está feliz com a liberdade de fazer um papel voltado especificamente ao público infantojuvenil.

Você parece muito à vontade no palco, como se estivesse brincando com os colegas de elenco e a plateia. Como se sente?

Diego (o diretor) me deixou muito livre, diferente de outros diretores que ficam podando. E o burro é um personagem maravilhoso, é fiel, companheiro, amigo. Fico muito emocionado com ele. Tem uma cena em que o Shrek pergunta: ‘Por que você voltou?’ E o burro diz: ‘Porque é para isso que servem os amigos’. Acho sensacional. Ele sente, sofre, e eu procurei fazer o máximo para que o Burro não fosse um personagem careteiro.

É a primeira vez que você faz um trabalho para o público infantil?

Nos meus shows, tarde da noite, sempre tem criança. Quando vejo uma na plateia, fico constrangido, né? Na hora penso: ‘Cara, como eu vou falar esse palavrão agora’. Fico desesperado, mas passa logo. O máximo que eu digo é: ‘Gente, vamos tampar os ouvidos da criançada que a Valéria vai chegar’. Os pais riem, não se incomodam, levam no show porque as crianças pedem. Eu me preocupo, pois tenho responsabilidade sobre o que digo, de criar uma consciência. Mas, sim, é a primeira vez que faço algo com o público infantil, um musical, e estou adorando a chance de atuar sem falar palavrão, pra todo mundo. Adoro as crianças.

Mas os palavrões que você diz fazem sucesso e fluem com tanta naturalidade...

Tudo depende de como a gente percebe a situação. Eu sou muito intenso. Falar em amor é fácil. Não acredito em quem fala em amor só da boca pra fora. E o palavrão pode não significar nada também. Ou pode significar muito. Se você está na rua e bate na perna de uma pessoa sem querer, você pode falar várias coisas na hora. Um palavrão pode significar um pedido de desculpas se for falado de coração, com sinceridade. Pode ser um ‘Foi mal, cara’, ciente de que você fez uma besteira.

SHREK – O MUSICAL

Teatro Bradesco. Rua Turiassu, 2.100, Shop. Bourbon, 4003-1212. 6ª, 20h30; sáb. e dom., 15 h e 19 h. R$ 70/ R$ 180. Até 22/12.

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