Em ritmo reduzido, Cinemateca busca solução para crise

Novo diretor da Sociedade de Amigos da entidade e ministra Marta Suplicy se encontraram ontem e debateram propostas

FLAVIA GUERRA, O Estado de S.Paulo

20 de julho de 2013 | 02h17

O novo presidente da SAC (Sociedade Amigos da Cinemateca), Roberto Teixeira da Costa, ao lado de Gabriel Jorge Ferreira, reuniu-se ontem com a ministra da Cultura Marta Suplicy, em São Paulo, no Gabinete Regional da Presidência da República. Em pauta, estava a normalização das relações Cinemateca/SAC/MinC, para assegurar o funcionamento regular e eficiente da Cinemateca Brasileira, que, em janeiro, teve seu diretor, Carlos Magalhães, exonerado pelo Secretaria do Audiovisual. Na mesma época, uma auditoria foi aberta para analisar as contas da entidade durante os dez anos do mandato de Magalhães.

A medida acarretou a suspensão no repasse de verbas do Ministério da Cultura para a entidade, causando a demissão de 43% do corpo de funcionários e provocando uma crise e o retrocesso institucional.

Atualmente, a Cinemateca, que opera em ritmo reduzido, dá continuidade aos projetos que já estavam em andamento antes da intervenção, mas sem dar início a novas atividades. "Continuamos a trabalhar com os três projetos que já estavam definidos: o programa de restauro, o plano anual de trabalho da SAC e o edital Marcas da Memória. Mas precisamos de resoluções o mais rápido possível para que o corpo de profissionais não seja todo perdido e o ritmo mais prejudicado", disse Olga Futemma, diretora interina da Cinemateca, ao lado de Patrícia de Filippi, diretora adjunta.

Sobre o encontro, por meio da assessoria de imprensa do MinC, a ministra Marta afirmou que "a agenda foi para conversar sobre as iniciativas deles para responder à auditoria em curso e ouvir sugestões. Nada em caráter decisório. Nada a anunciar".

Para Teixeira Costa, que assumiu há pouco a presidência da SAC, o encontro foi amigável. "Precisamos chegar a uma convergência em relação às auditorias. Tanto a da CGU (instalada pelo MinC) quanto a que nós instalamos, por meio da Price Waterhouse, que até o momento, não encontrou nada irregular."

Há também a questão da escolha do nome de um novo diretor. Foi criado um comitê de busca na última reunião do Conselho da Cinemateca (presidido por Ismail Xavier), em maio. "Definimos uma empresa que faz seleção de executivos, além de apontar profissionais que têm o perfil para assumir o cargo. Todos podemos indicar nomes, que serão entrevistados por essa empresa que, em seguida, fará um relatório com finalistas", explicou. "A pessoa tem de ter, além de sensibilidade, capacidade administrativa. Estamos aguardando a proposta do MinC", completou. "A esperança é que a proposta apresentada pela Secretaria do Audiovisual chegue antes de ser necessário dispensar todos os que trabalham hoje na Cinemateca. Calculamos cerca de 90 dias para que alguma solução seja apresentada", observou Olga.

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