Em 'Puzzle', Felipe Hirsch desconstrói, a vida no palco

Em projeto de três partes, encenador utiliza vários textos nacionais para descortinar o momento político e social do Brasil

UBIRATAN BRASIL, O Estado de S.Paulo

05 de outubro de 2013 | 02h14

Como país homenageado, o Brasil também apresentará, em Frankfurt, outras formas artísticas, como cinema, artes visuais, música e teatro. Nos palcos, serão dois destaques: o projeto Utopia.doc, de Christiane Jatahy, e Puzzle, de Felipe Hirsch, ambos a serem apresentados no Künstlerhaus Mousonturn.

Em Utopia.doc, Christiane e seu grupo recriam histórias de residentes de Frankfurt, que foram convidados a escrever sobre a própria história. Já Puzzle é um ambicioso projeto de Hirsch, o primeiro sem a contribuição de nenhum colega da Sutil Cia. de Teatro e certamente seu trabalho mais politizado.

"Em Puzzle, há uma busca incessante de montar uma apresentação literária que mostrasse o Brasil, esse país estranho", disse o diretor ao Estado, que teve acesso ao ensaio antes do embarque da trupe à Alemanha. "É um projeto muito pessoal, ultra lírico. Minha pretensão é a de que seja um espetáculo sensorial, sem ignorar o espaço onde estamos, que é um caldeirão de ideias - por isso, é meu projeto mais político, pois tanto faz menção às manifestações de rua que sacudiram o Brasil em junho, como vai além, até às redes sociais."

Puzzle é formado por uma elaborada compilação de textos escritos por autores brasileiros. Com apoio do Sesc São Paulo (o espetáculo será apresentado a partir de 7 de novembro na unidade Pinheiros), o projeto se divide em três partes. A primeira, com 2h30 de duração, reúne trechos escritos por Dalton Trevisan ("Um dos meus autores preferidos, responsável por um rito do prazer"), Bernardo Carvalho, André Sant'Anna, Nelson de Oliveira e Jorge Mautner, entre outros.

É esse segmento que traz aspectos mais políticos. A segunda parte denomina-se Sexo e também conta com 2h30 de duração. Basicamente se concentra em textos de Trevisan e André Sant'Anna e, a partir da crueza das palavras, traz uma crítica bem humorada e ao mesmo tempo severa à classe média paulista, especialmente a que frequenta bairros como Itaim.

Já o terceiro momento, que vai durar 1h30, é o mais sensorial e conta com textos de Verônica Stigger, Rodrigo Lacerda e Amilcar Bettega, entre outros. Todas as partes serão apresentadas em dias alternados e contam com a atuação de um elenco afiado: Felipe Rocha, Georgette Faddel, Isabel Teixeira, Luna Martinelli, Magali Biff, Marat Descartes e Rodrigo Bolzan.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.