Em peça, serial killer ajuda a explicar violência no mundo

Cinqüenta pessoas serão convidadas aouvir a história de uma serial killer em sua própria casa.Diante da morte de sua mãe, ela repensa sobre a linha tênue quenos separa da vida: procura um novo sentido na sua e descobre noassassinato a sua fonte de prazer e paixão. A atriz JulianaGaldino é quem dá vida a essa mulher que não revela o seu nome,mas sim angústias compartilhadas em tempo de violência. Odiretor Roberto Alvim é responsável também pela dramaturgia, queconta com a participação silenciosa da platéia como os 50 amigos(talvez cúmplices?), do espetáculo Anátema, que estréia sábado no Sesc Avenida Paulista. A peça - que tem em seu nome o significado de excomunhão maldição ou condenação, entre tantas outras acepções - sofreuum processo de amadurecimento desde março do ano passado, quandoAlvim começou a escrever o texto, pensando especialmente emJuliana como intérprete. O dramaturgo nunca teve nenhum de seustextos publicados no Brasil. A França acolheu a sua peça ÀsVezes É Preciso Usar um Punhal para Atravessar o Caminho nacoleção Le Solitaire Intempestive de 2004. A partir daí,diretores da França, Espanha, Suíça e Argentina tiveram acessoao seu trabalho e o encenaram diversas vezes em seus respectivospaíses. Quanto à necessidade de tomar a violência como seuprincipal tema, Alvim estabelece uma comparação. "Não falar daviolência nos dias de hoje é como Oscar Wilde não tocar noassunto da hipocrisia reinante na sociedade vitoriana." O autorreitera, no entanto, que o objetivo de suas peças é apontar acausa e não o efeito. Ele pesquisou e leu dezenas de históriasde casos reais de serial killers pelo mundo para alcançar osímbolo que esse personagem hoje representa. "Convidamos IlanaCasoy (sobrinha do jornalista Bóris), a maior especialistabrasileira em serial killers, para assistir a um ensaio corrido.Ela disse ter se surpreendido com a motivação da personagem deAnátema, inexistente em qualquer literatura", conta Alvim. O texto privilegia o ator em cena, forma trabalhadaexaustivamente por Juliana durante os sete anos que passou com odiretor Antunes Filho no Centro de Pesquisas Teatrais (CPT)."Durante o processo de montagem, o mais difícil é compreendercomo a peça pode te transformar, e não o contrário. Essetrabalho de decantação do espetáculo é o que considero maisimportante, ainda mais quando se tem em mãos um texto complexocomo Anátema. Quanto mais complexa a obra, maior a importânciade um intérprete ", diz a atriz, que já foi protagonista emMedéia e Antígona. Por todos esses ensinamentos Juliana é grata a Antunes.Quer vê-lo em sua tripla estréia - do espetáculo, de seuprimeiro solo e de sua companhia teatral Club Noir, fundada comAlvim para trabalhar textos de autores contemporâneos. "Minharelação com ele continua ótima. Antunes é de altíssima índole, oúnico mestre no Brasil", rasga elogios. "Penso o que seria dosatores sem a experiência de aprender e trabalhar com ele." Para o segundo semestre, o Club Noir promete novidades,como a apresentação da peça O Homem sem Rumo, de Arne Lygre. Anátema. Sesc Avenida Paulista. Av. Paulista, 119, (11)3179-3700. Estréia sábado, às 21 h. R$ 15

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