Em Paris, Stella McCartney faz pouco caso da crise

Stella McCartney injetou alguma masculinidade nas criações suaves e femininas que são sua marca registrada, expondo vestidos com cintos e calças justas no tornozelo, na segunda-feira, e somando-se a uma série de desfiles em Paris que vêm cortejando a mulher por seu lado de profissional. Confrontados com o fim do boom de luxo, os estilistas na semana de moda de Paris deixaram para trás os vestidos de festa para socialites e apostaram em roupas mais práticas para se vestir e vender - embora Stella McCartney tenha feito pouco caso das perguntas sobre o impacto da crise econômica. "Que crise?", disse ela depois de seu desfile, rindo, antes de comentar os vestidos de lã e renda de sua coleção e as botas que sobem até as coxas. A estilista britânica é conhecida há anos por suas criações que valorizam as silhuetas, mas a tendência mais ampla vista recentemente tem sido de uma moda mais adulta, exemplificada nos casacos de Karl Lagerfeld com ombros fortes e os cardigãs azuis de Emanuel Ungaro com ombros estruturados. A maioria dos terninhos, saias até os joelhos e vestidos sutilmente sexies com detalhes em renda expostos em Paris nos últimos dias poderiam ser usados pelas compradoras e editoras na primeira fileira da platéia, o que não era o caso das microssaias e tops de sutiã vistos em temporadas passadas. "Quero dar às mulheres roupas nas quais elas serão notadas, mas que não são exageradas", disse McCartney a jornalistas após seu desfile. Seu pai, Paul McCartney, estava na primeira fileira, sorrindo com orgulho e acompanhando o ritmo da trilha sonora do desfile. "Achei tudo fabuloso - muito maduro e muito chique, sem falar em criativo, como essas botas", disse ele, acrescentando que sua filha às vezes cria os figurinos que ele usa nos palcos. Neste momento em que a crise obriga os compradores a fazer uma análise cautelosa de preço, qualidade e design, os executivos do grupo Gucci, dono da grife Stella McCartney, devem gostar da coleção "wearable" criada pela estilistas e pelos acessórios como as bolsas pretas de se levar na mão. Muitos compradores norte-americanos, que geralmente são uma presença visível nos desfiles de Milão e Paris, deixaram de comparecer aos desfiles de outono/inverno, preferindo fazer seus pedidos online ou pelo telefone. Os que compareceram falaram que estão mais cautelosos. "Acho que todo o mundo está olhando as roupas com mais cuidado, com atenção não apenas à qualidade, mas também à quantidade", disse a médica Vinita Schroeder, de Dallas, que usava um vestido cinza de lã de Stella McCartney.

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