Em NY, um pouco de música pode salvar livraria

Uma livraria combinada com um café é, há alguns anos, o paraíso dos nova-iorquinos amantes da literatura que desejam saborear, em silêncio, tanto um livro quanto uma bebida. Mas, no início do ano, quando o cantor de rock Ryan Adams subiu sobre uma de suas mesas e começou a cantar, a plenos pulmões, um blues diante de um público deliciado, ficou evidente que as coisas estavam mudando para o café-livraria Housing Works."Foi um impacto tremendo", diz Alan Light, jornalista e amigo de Adams, que organizou o espetáculo. "Nenhum dos que estavam lá jamais esquecerão." A apresentação de Ryan Adams foi a primeira de uma série de shows beneficientes que transformaram a livraria do sul de Manhattan em uma importante fonte de arrecadação para sua matriz, a Housing Works Incorporation, uma organização de ajuda a população carentes da cidade, especialmente os portadores do vírus HIV.Desde o começo da série, cada um dos shows mensais levantou de US$ 5.000 a US$ 7.000 dólares para a organização. Os artistas que participaram - de Roseanne Cash e Edie Brickell ao grupo Fountains of Wayne - não receberam nada e doaram a Housing Works a renda da venda dos ingressos, que custam US$ 25. Devido ao maior número de clientes, as vendas de livros cresceram cerca de 30% desde o começo dos shows: de US$ 45.000 em maio de 2002 para US$ 60.000 no mesmo mês deste ano. E também aumentou o número de voluntários na loja, onde ninguém ganha um tostão por seu trabalho, segundo o gerente Joel Tippie.O shows são feitos de maneira informal no espaçoso café da loja, que tem pé direito alto e um assoalho de madeira encerado, sobre o qual se colocam cadeiras dobráveis para os espectadores. Em uma apresentação recente, o público escutou em silêncio Edie Brickell cantar no pequeno palco, a pouco mais de um metro da primeira fila, novas canções, com uma guitarra acústica, na mesma voz indolente que levou, em 1989, sua música What I Am aos primeiros lugares da lista de mais vendidos."Seu relações públicas achou que este lugar era ideal para por à prova seu material novo sem chamar a atenção e sem pressões", diz Light, que já foi diretor da revista Spin e funciona como um empresário dos espetáculos, gratuitamente, é claro. "Os shows aqui são muito bons para isso." A loja vende de tudo, desde os best-sellers do momento à primeira edições valiosíssimas - que podem ser lidos no café, onde se servem de sanduíches a vinhos. Uma primeira edição de Les Americains, de Robert Frank, foi vendida recentemente por US$ 2.570.

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