Em nova fase, Masp reavalia seu acervo

Em nova fase, Masp reavalia seu acervo

Novo diretor-presidente, Heitor Martins afirma que não haverá grandes exposições em 2015 e que museu está em balanço

Antonio Gonçalves Filho

19 Setembro 2014 | 18h31

 O novo diretor-presidente do Masp, o empresário Heitor Martins, em entrevista ao Caderno 2, revelou ontem que não será realizada nenhuma megaexposição no próximo ano no museu que tem o maior acervo de arte da América Latina. “Vamos entrar num período de mergulho na própria coleção do museu e tentar sanear as dívidas”, disse, anunciando uma mudança no projeto curatorial do Masp. Tendo como atual curador-chefe o professor e crítico Teixeira Coelho, o museu deve ganhar uma equipe de novos curadores com a mudança do estatuto aprovada e que resultou na ampliação do quadro de conselheiros. A princípio, Coelho permanece vinculado ao Masp. Segundo o curador-chefe, ele deverá dirigir a escola de arte projetada para funcionar no prédio anexo ao lado do museu, cujas obras de reforma estão paralisadas desde 2012.

Com uma dívida de RS$ 12 milhões e sem possibilidade de realizar exposições temporárias de vulto, o Masp ampliou seu conselho deliberativo, formado por 80 notáveis da sociedade paulista, para resolver não só a questão do pagamento dos credores como a dos projetos inadimplentes junto ao ministério da Cultura, o que impede o museu de captar recursos por mecanismos federais de incentivo. Segundo garantiu Heitor Martins na quarta, a soma de recursos captados com a entrada de novos conselheiros já chega a R$ 10 milhões, o que garante certa folga para pensar numa nova fase do Masp. “Nossa expectativa é que fecharemos a conta em breve”.

O novo conselho deve ainda decidir se vai fazer um resgate financeiro de R$ 15 milhões para concluir a reforma do prédio anexo, doado pela Vivo. Ele deveria ser inaugurado há dois anos, mas uma disputa judicial paralisou as obras. Em 2013, a Vivo cobrou do museu a devolução do patrocínio ao prédio, entregue ao Masp em 2006, justamente o ano em que foi realizada em sua sede uma mostra do impressionista francês Degas, que ficou as escuras logo após a inauguração, por falta de pagamento da conta de luz. No ano seguinte, o museu foi invadido por ladrões, que levaram obras de Picasso e Portinari (depois recuperados pela polícia).

“Fizemos uma reunião de balanço com os funcionários para analisar a situação do museu e esperamos que a questão do anexo seja resolvida ainda em 2015”, disse Martins, adiantando que vai tirar da reserva técnica obras que nunca foram exibidas. “Temos 250 obras expostas e mais de 8 mil na coleção, pouco ou nunca vistas pelo público.” Entre elas, Martins citou a coleção de arte asiática do diplomata Fausto Godoy, de 2 mil peças, doada em comodato ao Masp em 2011, que pode colocar o museu no patamar do Metropolitan.

O plano era instalar, em caráter permanente, a coleção de Godoy no lugar onde hoje funciona o restaurante do museu, mas isso dependeria da conclusão das obras do anexo. Não há plano imediato de expor a coleção, segundo o curador-chefe Teixeira Coelho. “As obras da coleção Godoy ainda precisam ser catalogadas”, justificou.

Outras questões que envolvem a utilização do prédio precisam ser resolvidas. O novo diretor-presidente pretende usar o vão livre para montar exposições, mas depende de autorização da Prefeitura. Quanto à volta dos cavaletes de vidro da arquiteta Lina Bo Bardi, que sustentavam as obras do acervo permanente, Martins diz que esse é um “problema curatorial”, embora os cavaletes, assim como o prédio do Masp, sejam tombados pelo Iphan.

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