Em nome do filho

País recebe espetáculo que, ao usar imagem de Cristo, provocou a ira dos católicos

Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

19 Setembro 2013 | 02h20

Um especialista em criar polêmicas. O diretor italiano Romeo Castellucci costuma deixar um rastro de reações passionais por onde passa. Desde 1980, ele choca o mundo com suas peças. Foi assim em sua adaptação de Júlio Cesar, quando trouxe para representar o papel de Marco Antonio um ator com câncer e uma evidente traqueostomia. Manteve-se assim em Tragedia Endogonidia - espetáculo que trazia um homem a cortar a própria língua para alimentar uma ninhada de gatos.

Quem assistir ao seu mais recente trabalho, que chega hoje ao Brasil para participar do festival Porto Alegre em Cena, entenderá por que ele cativou a fama de "enfant terrible" do teatro europeu. Depois de flertar com o sadomasoquismo, a tortura e a doença, agora reúne, no mesmo palco, excrementos e a imagem de Jesus Cristo.

Como era de se esperar, as reações a Sobre o Conceito da Face no Filho de Deus foram mais do que exacerbadas. Católicos de todo mundo não tardaram a indignar-se. Na Itália, a criação foi tachada de blasfêmia. Na França, o Theatre de la Ville, onde a peça estava em cartaz, foi cercado por manifestantes que atiravam ovos e óleo. A polícia teve que intervir para que as apresentações acontecessem.

Às voltas com uma nova produção, Castellucci não poderá vir ao País acompanhar sua companhia, a Socìetas Raffaello Sanzio. Mas espera contar com a simpatia dos espectadores brasileiros. "É um público que eu adoro, muito apaixonado pelo teatro", considera.

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