Em mostra, 60 anos de fotografia com Thomaz Farkas

De seus 79 anos, Thomaz Farkas dedicou, até agora, 60 à fotografia. Foi com o intuito de comemorar essa data e homenagear o artista que o Centro da Cultura Judaica inaugura hoje para convidados e amanhã para o público uma exposição com 50 imagens em preto-e-branco realizadas por ele - em muitas delas presentes as cidades de São Paulo, Brasília e Rio.Thomaz Farkas nasceu em Budapeste, na Hungria. Naturalizou-se brasileiro, graduou-se em engenharia, mas não exerceu a profissão. Preferiu se dedicar à direção de documentários e à fotografia. Na década de 40, era um dos integrantes do Foto Cine Clube Bandeirantes, ao lado de Geraldo de Barros e German Lorca. Mas, nessa época, ele ainda estava procurando "uma possibilidade de expressão", como descreve o crítico de fotografia Rubens Fernandes Junior. Nos anos 40 e 50, o trabalho de Farkas está relacionado com o de um grupo de fotógrafos que "construíram a imagem de um Brasil moderno, tanto na expressão documental, quanto na experimental", outra idéia de Fernandes Júnior. São célebres as imagens que Farkas realizou sobre a construção de Brasília, entre o fim dos anos 50 e começo dos 60. Mas é certo que há tempos o fotógrafo impôs uma expressão única, muitas vezes de caráter geométrico, em outras, de "estranhos ângulos de visão rompendo o silêncio das formas".Hoje, Farkas é professor-doutor na Escola de Comunicação e Artes da USP e tem seu nome registrado como um dos mais significativos profissionais da arte fotográfica. Foi ele o responsável pela instalação de laboratórios fotográficos no Masp e na USP. A frase que muitas vezes o caracterizou foi a de que "fotógrafo não tem de falar, tem de fotografar". Na exposição, estão seus vários olhares, as imagens escolhidas por ele mesmo. Está lá o registro do dia em que as pessoas comemoravam, na rua, o fim da 2.ª Guerra. Além dos registros documentais, as cenas do cotidiano.

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