Em livro, um olhar acadêmico sobre os palhaços

O filósofo, professor de história da arte e, tão importante quanto, ex-trapezista de circo Mário Fernando Bolognesi autografa hoje, a partir das 19h30, no Itaú Cultural, o livro Palhaços, editado pela Unesp, onde dá aulas. Ampliação do trabalho de livre-docência, o trabalho de Bolognesi estuda o surgimento e desenvolvimento do palhaço circense, procura seus pontos de contato com o teatro e conta a história do circo moderno. No fim do livro, reproduz diálogos encenados por diferentes artistas em diversas partes do País.A pesquisa durou três anos, a partir de 1998. O autor visitou circos de todos os cantos (excetuada a região Norte), fez dezenas de entrevistas, fotos, registrou repertório e modos de atuação dos palhaços. Na abertura do livro, assinala que Palhaços é apenas um "estudo introdutório" sobre circo e seus atores nos nossos dias.Pode haver aí rigor em demasia na crítica do minucioso trabalho que, já no início, aponta uma curiosa (certamente clara, talvez não enunciada antes) diferença entre as encenações cômicas dos grandes circos, como Garcia, Orfei, Vostok, e dos médios e pequenos, que ainda existem em grande número, sobretudo no interior. A participação do palhaço nos circos grandes é pequena e eles são pouco mais do que tapa-buracos (permitindo a preparação do picadeiro) para outras atrações. Nos pequenos e médios, o palhaço ainda é a força principal.Nos grandes houve modificação do repertório. Os esquetes com fala tornaram-se difíceis de realizar e foram substituídos por outros, mudos. Nos pequenos, mantêm-se os quadros cômicos, encenações de dramas e comédias. O autor observa também que os riscos que correm os artistas de teatro são reais: "No espetáculo, não apresentam ´interioridades´: eles são puro corpo exteriorizado, sublime ou grotesco, que se realiza e se extingue na dimensão mesma de seu gesto", escreve.Narrado no equilíbrio da paixão de quem viveu o circo e o método do acadêmico, Palhaços é uma narrativa saborosa, às vezes engraçada ou comovente, historicamente embasada e enriquecida pelo olhar antropológico do autor. Um belo e importante trabalho.

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