Em Israel, Vargas Llosa critica Lula, Chávez e Fidel

Em discurso em universidade de Jerusalém, escritor aponta contradição entre política externa e interna de Lula

26 de maio de 2010 | 20h20

JERUSALÉM(EFE)- O escritor peruano Mario Vargas Llosa criticou hoje com dureza lideres latino-americanos como o cubano Fidel Castro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o venezuelano, Hugo Chávez, em um discurso na Universidade Hebraica de Jerusalém.

 

Vargas Llosa disse que Castro é "pré-histórico", que Chávez é um "aprendiz de ditador", avaliou positivamente a "política interna pela qual Lula é responsável", mas criticou a externa, qualificada por ele de "irresponsável".

 

"Há uma contradição entre a política interna e a externa de Lula. Sua política interna é responsável e sua política internacional é irresponsável e demagógica, ao abrir as portas do Brasil e, com elas, as da América Latina, a pessoas como (o presidente iraniano, Mahmoud) Ahmadinejad".

 

O escritor fez os comentários em uma conferência na universidade, como parte de um colóquio internacional sobre as múltiplas perspectivas da América Latina.

 

Em um discurso de uma hora, Vargas Llosa falou sobre a situação política, social e literária na América Latina.

 

O escritor disse existir uma "inclinação a idealizar América Latina, onde parecia que era possível o que na Europa era irreal", pelo fato de a colonização do novo mundo ter sido "uma empresa imaginária, atiçada pela literatura, por relatos que alvoroçavam a cabeça de quem buscava riqueza".

 

"O descobrimento da América aconteceu sob o mito e a ficção" e o novo mundo foi um reflexo das fantasias ocidentais, "onde se confundiam a lenda utópica e a verdade histórica", disse Vargas Llosa.

 

"É imprescindível nestes momentos ver a verdade histórica, porque confundir a verdade com a ficção sempre teve consequências trágicas para a humanidade", disse.

 

Vargas Llosa afirmou que "é preciso limitar a mitologia à literatura e às artes e não deixar que precipite à política, onde é necessário manter uma visão realista, para pôr fim à pobreza e às diferenças sociais".

 

O escritor peruano também foi recebido com sua família esta manhã pelo

presidente de Israel, Shimon Peres.

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