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Em Frankfurt, editores falam do novo livro de Vargas Llosa

Pilar Reyes (Grupo Santillana) e Roberto Feith (Objetiva/Alfaguara) comentam premiação do escritor

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

07 de outubro de 2010 | 09h59

A colombiana Pilar Reyes, que edita a obra de Mario Vargas Llosa em língua espanhola pelo grupo Santillana, tentou várias vezes mas não conseguiu falar com o novo ganhador do prêmio Nobel de Literatura. "Certamente ele já foi acordado pela notícia", disse ela, que está na Feira de Frankfurt. "Apesar de esperado, o prêmio sempre provoca surpresa."

 

Passada a festa, Pilar pretende se reunir com os editores do grupo para redefinir o lançamento do novo romance de Llosa, O Sonho Del Celta, previsto para 3 de novembro, quando o próprio escritor estará em Madri. "Ou estaria, já nem sei mais como ficará sua agenda", disse Pilar que, inicialmente, previa uma edição entre 300 mil e 400 mil exemplares para 22 países de língua espanhola - não há ainda lançamento marcado para o Brasil. "Agora, com o Nobel, certamente teremos de reavaliar esse número."

 

Também em busca de uma nova certeza está Roberto Feith, editor da Objetiva que, pelo selo Alfaguara, lança a obra de Llosa no Brasil. Informado pelo Estado sobre a premiação, ele contou que tinha agendado uma reunião com o escritor no domingo, em Nova York. "Acertaríamos sua vinda ao Brasil nos próximos dias, mas agora não sei como ficará a agenda dele." Llosa tem viagem confirmada ao País na próxima semana, pois fará uma palestra em Porto Alegre, na série Fronteiras do Pensamento, na quinta, 14.

 

A editora brasileira está traduzindo o novo romance do escritor, que vai se chama O Sonho do Celta, cujo lançamento está condicionado a uma possível vinda do Llosa ao Brasil no início do ano, segundo informou Feith. Além do romance, a Alfaguara já tem mais seis títulos contratados como relançamento e ainda um juvenil, inédito no Brasil.

 

O Sonho Del Celta consumiu quatro anos de trabalho. Llosa inspirou-se em um personagem real, o cônsul irlandês Robert Casement (1864-1916), que, na virada dos séculos 19 e 20, denunciou os massacres acontecidos no Congo e os abusos contra os índios Putamayo, no Peru. "Ele conseguiu, com isso, diminuir os genocídios, mas, curiosamente, terminou a vida executado, por motivos políticos", conta Pilar Reyes. "Llosa não se limitou a contar essa trama fantástica, mas enriqueceu o relato com detalhes e tocando em temas sensíveis, como o nacionalismo e o homossexualismo de Casement." Para ela, o livro será um acontecimento intelectual no mundo literário.

 

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