Em exposição, a obra do arquiteto Jean Nouvel

Enquanto o prefeito do Rio, César Maia, busca novo contrato para a instalação do Guggenheim (o original, já assinado, é questionado na Justiça, que concedeu liminar contra sua validade), o arquiteto francês Jean Nouvel, autor do projeto do edifício a ser construído no Píer Mauá, vem mostrar sua obra. Hoje, ele inaugura no Centro de Arquitetura e Urbanismo mostra com 13 projetos para museus e centros culturais espalhados pelo mundo. Deles, só o Instituto do Mundo Árabe e a sede da Fundação Cartier para Arte Contemporânea, ambos em Paris, estão prontos. Os outros estão em construção ou ainda não saíram do papel e serão mostrados em computação gráfica. "A mostra é um balanço de minha obra, com projetos para espaços de arte contemporânea e outros tradicionais", disse Nouvel, de Paris, na semana passada. Para os brasileiros acostumados com arquiteturas marcantes como a de Oscar Niemeyer, Nouvel surpreende. "Sua escritura arquitetural é mais permanente do que a minha. O que me caracteriza é a busca da particularidade de cada edifício. É preciso encontrar uma relação com a geografia do lugar onde se constrói, uma história local, um cenário anterior à arquitetura. Meus prédios são muito diferentes entre si. O que procuro é uma poética da situação, é algo que dialogue com a geografia do lugar onde o edifício se instala." Entre os arquitetos brasileiros, a competência de Nouvel é ponto pacífico, mas sua contratação para projetar e construir o Guggenheim, ao preço de US$ 8 milhões, dividiu os profissionais. Parte deles, à frente o Instituto dos Arquitetos do Brasil, protesta e outro grupo rebate com a possibilidade de acesso a conceitos e tecnologias de ponta que, de outra forma, só chegariam aqui em alguns anos, inclusive porque Nouvel nunca se resume ao projeto de suas obras, cuida da construção de todas elas. "É o que se chama controle arquitetural".Consciente de que seu nome ficou mais ligado à polêmica, Nouvel espera, com a exposição, que os brasileiros conheçam sua obra. "O público vai saber que tive oportunidade de construir museus em diferentes partes do mundo. Quanto à minha contribuição, acho que os arquitetos brasileiros podem medi-la melhor do que eu."

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