Em documentário, a dor das mães sem filhos

Na última vez em que viu o filho, Augusto, na soleira da porta de casa, dona Iolanda ouviu o gracejo: "Mãe, aquele beijo!" A morte do rapaz lhe faria ficar muda por um mês - não havia o que dizer, de tanto que doía. Já Dona Nyssia ficou tão revoltada ao perder Ricardo que passou a ter ódio de Nossa Senhora Aparecida, até então sua protetora.

, O Estado de S.Paulo

03 de maio de 2010 | 00h00

As duas senhoras abrem o documentário As Cartas, de Cristiana Grumbach, que chegará aos cinemas no fim deste ano. A diretora carioca não é espírita, mas é mãe, e se interessou pelas histórias de mulheres em cujas vidas Chico Xavier teve um papel determinante.

Sem as cartas dos filhos (uma menina de 9 anos, dois irmãos, um rapaz prestes a se casar...), psicografadas pelo médium, nem elas nem as outras sete mães ouvidas pelo documentarista, todas de São Paulo, teriam conseguido sobreviver ao golpe que sofreram. Assim elas contam no filme, pontuado pela leitura das cartas. Uma diz que as mensagens recebidas, por tranquilizá-la quanto ao bem-estar do filho perdido pós-morte, lhe permitiram, enfim, "fazer as pazes com Deus". / R.P.

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