Arquivo pessoal
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Em distanciamento social, festa online vira alternativa para comemorar

Empresas de eventos virtuais têm programação para crianças, adolescentes e adultos que inclui música e DJ e a entrega de convites e kits de brincadeiras

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2020 | 05h00

Não é difícil organizar uma festa de aniversário online em tempos de pandemia. O complicado é manter o foco e a animação durante esse tipo de evento. O mais comum é que, em poucos minutos, as crianças se cansem de interagir virtualmente. Nessas ocasiões, mesmo os adultos costumam se entregar à dispersão ou a assuntos repetidos. 

A habilidade em transformar eventos online em alguma coisa menos aborrecida ou frustrante fez com que profissionais da recreação, animadores de festas infantis e músicos conseguissem sobreviver em um mundo de isolamento social. “Sempre trabalhamos com a ideia de tirar as crianças da frente do computador. Mas, agora, o desafio é promover atividades online que façam com que elas interajam de forma efetiva e divertida”, disse Taís Cury, coordenadora do grupo Anjos da Guarda, que nas festas infantis se apresenta como Táta Batata.

As festas e os eventos costumam acontecer utilizando plataformas virtuais como o Zoom, Google Meet e YouTube. Elas podem contar com até 100 conexões (100 quadradinhos na tela do computador ou TV), mas o recomendável é que não ultrapassem os 25 participantes – que é uma forma do recreador não deixar nenhum convidado de fora. Muitas atividades envolvem envios de kits e materiais para interação. Sem os gastos de locomoção, esse tipo de festa custa de 3 a 4 vezes menos do que a sua versão presencial. 

Perguntas. Entre as atividades de maior sucesso está o quiz personalizado com perguntas sobre o aniversariante. “Antes da festa, a gente passa um questionário com perguntas pessoais sobre o aniversariante. Por exemplo, com quantos anos ou meses ele começou a andar? Qual foi a primeira palavra que ele disse? Daí, além da resposta certa, apresentamos duas mentiras. Assim, os participantes levantam placas (A, B e C) com suas respostas. Isso funciona muito em festas online”, falou Taís.

Outra brincadeira que funciona bem no formato virtual é a de procurar objetos em casa. A criança é instigada a trazer um controle remoto, um travesseiro, rolo de papel higiênico ou qualquer utensílio doméstico para a frente do computador. 

Existem também festas em que pais e filhos vão para cozinha e fazem uma receita simples e tradicionais em parceria. “Em um dos modelos de festa, entregamos um kit na casa de todos os convidados, com uma lousa de mão, suquinho, bolo individual e velas. A ideia é facilitar as brincadeiras em conjunto e promover o momento do parabéns”, contou Taís.

O Brincalalá sofreu o impacto do fim das festas presenciais. Com uma agenda de aniversários cancelados, os recreadores começaram a estudar os melhores formatos para segurar uma festa online. “Nossos eventos presenciais duravam cerca de 3 horas. Mas, online, 50 minutos são suficientes para garantir a atenção das crianças. Na maioria das vezes, as festas são divididas em três partes: música, contação de histórias e oficina de massinha”, falou Samara Martins, criadora do Brincalalá. “Estamos estudando protocolos de higiene para festas presenciais, mas, provavelmente, será virtual até a vacina chegar”, completou.

Jaziely Vieira contratou uma festa online para o aniversário de 6 anos do Rafael. “Não conhecia. Foi surpreendente. As crianças adoraram e se envolveram o tempo inteiro”, contou. Taís Freitas, mãe de Milena, de 6 anos, também recomendou a experiência. “No começo, fiquei apreensiva. Mas foi algo que envolveu todas as famílias. Por conta da escola, as crianças já estão acostumadas com interações virtuais, então foi tudo muito natural”, disse. 

A mãe da Lara, de 5 anos, Fabiana Albuquerque de Oliveira, lembrou que além da de manter a animação e a atenção das crianças, a figura do recreador é importante para controlar a festa. “Eles sabem a hora de ligar e desligar os microfones. Imagina o que é uma festa com crianças de 5 ou 6 anos tentando falar ao mesmo tempo”, ponderou. Para ela, também foi importante a festa durar apenas um pouco mais de uma hora. “Acho que mais tempo poderia estressar as crianças. A formato foi ideal”, completou. 

Já no Prendas Minhas, a intenção é unir a experiência virtual com oficinas manuais. Parte das festas organizadas pela empresa são antecedidas pela entrega de kits. “A gente já fez oficinas de pintura em roupa, criação de bolsas e pebolim”, disse Adriana Mores, criadora da empresa. “Promovemos também brincadeiras como uma em que as crianças imitam posições de ioga ou pintam o rosto de seus pais”, completou. Segundo Adriana, o Prendas Minhas produz a festa – entregando convites e contacta convidados.

Música. De olho no público infantil e adolescente, mas com foco na música, o Balada Animada leva um DJ para dentro da festas e happy hours. “Nós transmitimos direto do nosso estúdio para a sala de bate-papo do organizador da festa. A ideia é transmitir a sensação de um DJ em casa e transformar a sala em uma pista de dança. Além dos DJs, uma espécie de mestre de cerimônias conduz a festa com brincadeiras e danças”, disse Rodrigo Braga, idealizador do projeto.

Já para os adultos, uma das opções são as festas com shows de voz e violão. O músico Marcelo Freitas pulou das tradicionais lives para eventos mais personalizados – em que o contratante pode escolher o estilo musical ou cada música tocada. “Com a pandemia, minha renda zerou. Mas, um dia, uma pessoa falou que gostaria que eu aparecesse cantando parabéns na TV da casa dela. Daí, me veio a ideia”, contou Freitas. 

Os shows são transmitidos ao vivo pelo YouTube e também podem contar, simultaneamente, com uma reunião pelo Zoom. “Em uma das versões, uma espécie de mestre de cerimônias conduz uma reunião no zoom enquanto o show acontece. É como se o show tivesse pista de dança e mesinhas para conversas”, falou. Durante os shows, Freitas interage com o público, exibe fotos do aniversariante (ou homenageado) e mostra o bate-papo do Zoom na tela. “O ideal é que a pessoa assista ao show com o YouTube na TV e com o laptop no colo”, acrescentou. 

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