Em discussão, o apoio dos alemães a um projeto genocida

Uma das grandes questões que ocupam os historiadores do nazismo diz respeito ao apoio do alemão comum ao projeto genocida de Hitler. O trabalho mais polêmico nessa seara é o do historiador Daniel Jonah Goldhagen, Os Carrascos Voluntários de Hitler (Companhia das Letras, 1996). Criticado pelos maiores especialistas na área, Goldhagen sustenta que os alemães aderiram à loucura nazista por causa de seu antissemitismo atávico. A tese é refutada pelo historiador Robert Gellately no livro Apoiando Hitler: Consentimento e Coerção na Alemanha Nazista, que acaba de sair no Brasil pela Record.

Marcos Guterman, O Estado de S.Paulo

03 de setembro de 2011 | 00h00

O estudo de Gellately prefere atribuir a sedução hitlerista a seu apelo à ordem, ao anticomunismo e à ideia da Grande Alemanha. O antissemitismo, mostra ele, não estava na ordem do dia no início da consolidação do poder nazista. Pelo contrário: sabendo que, naquele momento, os alemães não aceitariam a violência contra os judeus, Hitler preferiu estratégias mais sutis e gradativas para introduzir naturalmente a ideia de "limpeza racial" - que resultaria, afinal, no genocídio.

Isso não significa que os alemães não tenham aderido em massa, e entender esse fenômeno é crucial para compreender o nazismo. Gellately examina o problema, mas evita as conclusões peremptórias às quais se rendeu Goldhagen, preferindo apresentar as diversas possibilidades de interpretação - e esse é o maior mérito de seu livro.

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