JF Diorio/Estadão
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Em crise, Masp aprova reforma de seu estatuto

Processo começou por conta de dificuldades financeiras que podem chegar a R$ 54 milhões

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 20h32

O primeiro passo oficial de mudança de governância do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) ocorreu no fim da tarde desta terça-feira, 29, quando foi aprovada a reforma do estatuto da entidade em assembleia realizada no pequeno auditório da instituição. Com 73% de aprovação, ou seja, com a presença de 40 dos 53 conselheiros e associados do Masp, todas as propostas de uma nova gestão que terá o consultor e empresário Heitor Martins à frente da presidência do museu serão incorporadas nos autos da entidade.

O processo foi alavancado por causa das "dificuldades financeiras" pelas quais passa o museu - oficialmente, as dívidas seriam de R$ 10 milhões, mas extra-oficialmente o rombo seria de montante em torno de R$ 54 milhões, incluindo os gastos com o prédio Masp-Vivo. Entre as mudanças propostas, está a criação de comitês de gestão para acompanhar as atividades de gestão do museu e para o processo de construção do edifício Masp-Vivo, atualmente, com obras paralisadas.

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"Estamos em um momento de grandes transformações no Masp", disse a atual presidente executiva da instituição, Beatriz Pimenta Camargo. Possivelmente, ela vai presidir o conselho da instituição para dar lugar a Heitor Martins, sócio-diretor da empresa de consultoria McKinsey & Company e ex-presidente da Fundação Bienal de São Paulo, na presidência do museu. O nome do empresário foi levado pelo Banco Itaú e pelo "grupo de empresas" que assumirão a dívida do Masp, afirmou Beatriz. A colecionadora contou que há mais de uma década não ocorriam mudanças no estatuto da instituição.

Uma nova assembleia será convocada em até 60 dias para que seja oficialmente efetivada a eleição de Heitor Martins como presidente do Masp e para que novos conselheiros entrem na entidade, chegando a um total de 80 membros. Além de Martins, a nova diretoria-executiva da instituição será formada por Alberto Fernandes (vice-presidente executivo do Banco Itaú BBA), Alexandre Bertoldi, advogado, Flavia Velloso, Nilo Cecco e pelo cientista-social e colecionador Miguel Chaia.

Segundo Beatriz Pimenta Camargo, ainda não foi cogitada a troca do curador do Masp, Teixeira Coelho, neste processo de mudança de gestão do museu. "Nós não somos eternos aqui", afirmou o arquiteto Julio Neves, ex-presidente do Masp. Outra mudança apresentada no novo estatuto é a criação de lugares natos para o poder público, ou seja, para os secretários de cultura do município e do Estado de São Paulo e para o presidente do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus), órgão do Ministério da Cultura.

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