Em cena

Falta vacina contra a gripe A na rede privada

Chris Mello, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2010 | 00h00

O cidadão tem a escolha de proteger-se do vírus da gripe H1N1 vacinando-se dentro do programa do governo ou em sistema privado. Entretanto, clínicas e hospitais particulares como Albert Einstein e Clínica David Uip não conseguem comprar a vacina dos laboratórios autorizados pela Anvisa, o Abbot, que produz o shot sob alcunha Solvay Farma, e o Sanofi Pasteur. Segundo a assessoria de ambos, a prioridade foi atender ao setor público. E, vale lembrar, o último grupo prioritário - adultos de 30 a 39 anos - tem até amanhã para se imunizar pelo sistema do governo.

O Sanofi Pasteur informa: "Foram enviadas ao Instituto Butantã 63 milhões de doses da vacina para distribuição para a rede pública." Somente esta semana chegou ao Brasil a vacina trivalente, que protege contra infecção pela cepa pandêmica (A/ H1N1) e pelas sazonais (H3N2 e B) e que será distribuída para rede privada. O Solvay Farma não tem doses suficientes para distribuir, informa por meio de seu hotline.

O médico David Uip explica que a dose boost é necessária para crianças de até 2 anos, pois nesta idade o sistema imunológico ainda não está totalmente formado. "Há dois trabalhos sobre H1N1 e a literatura não deixa claro se apenas uma dose garante a imunização, já que foi pequeno o número de crianças observadas", reforça ele.

EMPODERAMENTO

Realidades sociais são construídas a partir da existência das coisas, difusão de ideias e arquitetura de opinião. E relações que se estabelecem na sociedade são de poder, e, poder, é exercido em diversas esferas através da capacidade de agir para alcançar objetivos que dão sentido à existência humana. Por isso empoderamento é crucial - e foco do projeto A Gente Transforma Parque Santo Antônio com Suvinil ao Vivo, bolado pelo arquiteto Marcelo Rosenbaum para muito mais que colorir as cercanias do Capão Redondo.

Como chegaram ao formato?

Empoderamento como tendência se relaciona com mecanismos colaborativos e geração de conteúdo por parte de usuários na web 2.0. Marcas como YouTube e myspace deixam claro que novas gerações estão intrinsecamente relacionadas com o fato de serem donas de seus conteúdos. Como consequência, donas de sua vida, realidade e comunidade. Fica claro então que o empoderamento é importante.

O projeto foi arquitetado com Tia Dag da Casa do Zezinho. Como vai acontecer?

Vamos capacitar 100 moradores como pintores por técnicos da Suvinil, a Vivo vai viabilizar a inclusão digital através de tecnologia e conexão; será feita ainda a pintura das casas em torno do Campo do Astro; a construção de uma biblioteca comunitária em parceria com o Instituto Actos equipada com computadores, web e construção de equipamentos urbanos, como bancos, floreiras, lixeiras, etc. Nesta semana visito universidades para convidar estudantes de arquitetura e artes plásticas. Virão também alunos da Royal Academy de Londres. A seleção será feita em jogo virtual (mais no estadão.com.br/e/d4).

Que efeito esperam?

Paulo Freire uma vez disse que educação não muda o mundo. Que educação muda as pessoas e as pessoas é que mudam o mundo. Nossa expectativa é que esse projeto não seja nada mais do que um despertar. Despertar para essa condição de empoderamento, pois não queremos seguir o caminho do assistencialismo. Queremos estimular pessoas para capacidade de realizar e articular juntas. Descobrimos com a subprefeitura que até 2015 não há projetos para o córrego da região. Então...

BRANDING

Autor de Código Cultural, e responsável pelo reposicionamento da Boeing e carros da Damien-Crysler, o psicólogo francês Clotaire Rapaille, CEO da agência Archetype Discoveries Worldwide, esteve no País para estruturar o rebranding de um grande banco. E contou ao Estado sobre seu método:

Pode contar sobre esse código desvendado por você?

É preciso entender que antes de linguagem temos um imprint, uma primeira impressão, de tudo que sobrevivemos. Trabalhando com autistas me tornei especialista em descobrir o primeiro imprint de tudo que temos no entorno. E podemos descobrir a primeira impressão de café, carro, amor, comida, de tudo. E o que descobri é que esse primeiro imprint é diferente de uma cultura para outra. A primeira vez que se descobre o amor no Brasil não é a mesma coisa que na Argentina, por isso as culturas são diferentes, quase opostas, com emoções diferentes. Emoções geram imprints. Na Europa tivemos séculos de guerra porque não temos o mesmo sistema de referências na cabeça. Apesar de hoje termos uma Europa unida e de tentarmos ver o mundo sob a mesma perspectiva, não temos os mesmos imprints.

Como psicólogo, o sr. foi chamado por indicação do pai de uma paciente para a Nestlé para entender por que o mercado resistia a consumir café. O que descobriu e como resolveu?

Japoneses não tinham emoção em relação ao café. É uma cultura de chá. Então tivemos que começar um trabalho a longo prazo para que crianças começassem a criar conexões com café, inserindo aromas em sobremesas. Hoje temos resultados. Respeito todas as culturas, mas é preciso entender que há um código secreto em tudo. Isso é fascinante porque quando você volta ao primeiro imprint e descobre como tudo é organizado na sua cabeça. Quando você acha a palavra certa é um estouro.

O que achou do Brasil?

A primeira vez que estive aqui foi em 69. Lembro que havia uma enorme inflação e já diziam que o Brasil era o país do futuro. Mas não era. Hoje, sim. A ideia de que o Brasil é extremamente feminino. Numa palavra? Feminilidade.

Para descobrir o código cultural há que refletir para descobrir o primeiro imprint. O que mais?

Fizemos uma propaganda de, mais uma vez, café, nos EUA. Um soldado volta para casa e vai direto para a cozinha. Prepara o café. A mãe está no quarto. Atenção ao fato de que ele nunca bebe o café, apenas sente o cheiro. O aroma sobe para o quarto e sabemos o que ela vai dizer: "Ele está em casa!" Casa, lar. Café remete a lar. Por quê? Tudo tem a ver com a primeira emoção.

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