Em cena

PAULO MENDES DA ROCHA, NÚMERO, ROBERT MCKEE, ESCRITA CRIATIVA, CONSUMIDOR 3.0, LOU REED, CONVERSE, LANVIN, INFLAMÁVEL

Chris Mello, O Estado de S.Paulo

13 de maio de 2010 | 00h00

O Priktzer Paulo Mendes da Rocha vai terminar seu projeto do Museu Brasileiro de Escultura, desenhado em 1986. Está prevista para começar em 2012 a construção do Pavilhão Anexo, na forma de um cubo de 20 m de aresta, feito de concreto armado, ligado à nave-mãe por um túnel subterrâneo.

Com a construção, o MuBE terá suprida a urgência de espaço para sua biblioteca, escola de arte e, principalmente, reserva técnica. A obra está orçada em R$ 5 milhões. "Que serão captados por leis de incentivo, com apoio da Funarte, a partir da finalização do detalhamento do projeto por Pedro, filho de Mendes da Rocha, junto à família de um artista que está terminando de passar-lhe especificações sobre a coleção que doará ao Anexo", conta a diretora do museu, Renata Junqueira. O Anexo terá a coleção e uma instituição com o nome do artista.

Viver viajando pelo mundo, já que a mobilidade de computadores e telefonia permite, pode ser sonho de muitos, mas Felipe Jardim, carioca que ganha a vida viajando e desenhando, garante: não é tudo. "Amo surfar e sempre estou em praias, mas é necessário estar em metrópoles para fazer contatos. O Trabalho vem daí", explica o moço, que desenha para Vuitton e Hermés - duas das mais importantes marcas de luxo. Por estar entre mundos hi-low, Felipe estava a fim de trabalhar com uma marca que estivesse na vida de gente jovem e velha, de gente da realeza a favela. Qual? Converse. No Brasil, a marca produz 7,5 milhões de pare/ano.

Na Vila Madalena, ainda que inscipiente, está rolando uma nova cena de lyfestyle, a de Fixed Bikers. Basicamente? a idéia é desconstruir uma bike, tirando até o freio. O diretor de arte Billy Castilho percebeu o lance e está abrindo numa casa do Beco do Batman uma loja do gênero. Tag and Juice é o nome. Na mistura ainda entram revistas e arte.

ENTREVISTA

Bob McKee, grande professor de Hollywood e autor de Estória: Substância, Estrutura, Estilo e Princípios da Escrita Criativa, está no Brasil para falar sobre seu método Story, que rendeu 138 prêmios, entre Oscars e Pullitzers, a seus alunos

VICIOUS

Combinada entre a Flip e Lou Reed está a leitura de poemas. Como são textos referentes a suas músicas, para que ele toque... é só alguém lhe dar uma guitarra...

MODO DE VIDA

MARCOS CAMPOS

Empresário da noite

Head de direção criativa e musical dos tempos bons do Sirena, e sócio da Disco, entre outros negócios, Marcos Campos abriu seu projeto mais autoral: o Número. Discreto, o bar, no 3.585 da Consolação, foi projetado por Isay Weinfeld.

Foram dois anos de conceituação. A que vem o bar?

Faltam bares bons para público acima de 30 e abrimos cedo, às 18 h. Esse é o primeiro projeto de bar independente feito pelo Isay. Você entra e dá em um corredor ladeado por sofás. O mobiliário é desenhado por ele, com linhas minimalistas características do trabalho do arquiteto, e é cozy. O teto desafunila à medida que o corredor se estende num jogo sutil de arquitetura, e termina em um jardim blindado. O bar tem camadas de material acústico para não vazar um decibel. Há uma área secreta.

A expectativa de público era tamanha que na abertura, restrita, convidados twittaram cada detalhe. Soube?

A ideia é ser low profile, mas acontece. No Número você construiu um andar de apoio só para a cozinha. Para ter longa duração, boa comida é fundamental. A nossa é básica feita pela Adriana Cymes, que está escrevendo para a Larousse O Charme da Gula, um livro de receitas para mostrar que o simples, com bossa, é muito bom. É possível servir stronogoff às 2 h. A Cymes fez para o blog uma lista de top produtos que um solteiro, que vive só, têm que ter em casa. Para um after bar.

A música?

Lado B de tudo o que é bom, de folk a rock. BPM baixo. A direção artística faço com Luciano Ucha. Passamos meses nisso.

Você diz que nada é mais superficial que a linguagem. Lévy-Strauss foi eleito filósofo do século, pregando o contrário...

Veja, histórias podem ser contadas sem linguagem. Podem ser dançadas, animadas, cantadas, gráficas. Linguagem é só uma forma. História é pre-linguística. Linguagem é o último desenvolvimento da mente humana; a superfície do comportamento. Um dos grandes princípios da escrita é que nada é o que parece. A superfície da vida é o que parece: o que as pessoas dizem, fazem, ouvem. Reais pensamentos não necessariamente são ditos. Se mostrássemos tudo, como desejos e medos, pessoas ficariam traumatizadas. Há 50 anos, na França, linguagem era o modelo da experiência humana e achavam que se poderia entender tudo pela linguagem. Mas isso, me desculpe, é uma falsa ideia.

O que é necessário para construir uma boa estória?

Definir bem que chamo objetivo do desejo: que é o que personagens pensam e querem conscientemente que aconteça para retormar o ponto de perda de equlíbrio.

Teatro, tevê ou filme?

A tevê faz tudo: tem a extensão de um romance, pode ir de horas a anos, e pode usar o diálogo brilhantemente como uma peça. Tudo é usado e você pode criar personagens complexos. Pegue Tony Soprano. Nós o vimos em nove anos com seu psiquiatra, inimigos, gângsters, mulher, namorada, sozinho na quadra de golfe. O vimos em toda maneira e acho que Tony Soprano é mais complexo do que Hamlet.

Natural, já que tivemos 9 anos para conhecer Tony e quatro horas para Hamlet. Como é possível apresentar bem um personagem em três minutos, o tempo considerado máximo ideal para prender atenção da audiência na web?

Tem que imediantamente colocar a vida fora de ordem, sem explicação. Por exemplo, em Jaws: tubarão come garotas; xerife descobre corpos no primeiro minuto. Não necessita explicação. Formas curtas são muito difíceis porque requerem desequilibrar rápido o personagem.

Crê no movimento de retorno ao natural em Hollywood, apesar de toda parafernália high-tec?

Acredito e concordo que Hollywood luta contra si. O futuro da estória pode não ser cinema, mas tevê. O dinheiro vai para cinema, mas os melhores escritores estão na tevê. Na minha opinião tudo é baseado na escrita, não na direção ou direção de arte. Temos uma grande comunidade criativa em Hollywood, mas fora dela não o que dirigir. Há uma série melhor do que a outra e a conseqüencia é que a tevê americana está canabalizando sets de tevê em todo mundo. Cinema gasta milhões em 3D, criando espetáculos , mas não sei quanto tempo isso dura. Pode ser novidade para jovens, mas a medida que pessoas crescem, querem mais serem conteúdo humano, a vida como é.

TENDÊNCIA

ADRIANA VILARINHO

Dermatologista

Hollywood levou 50 anos para chegar à mulher "perfeita". Agora, volta atrás. Diretores e produtores de casting estão vetando mulheres muito "feitas" - aquelas cheias de preenchimentos e Botox. "Além de parecer drag ou strippers, o material falso injetado salta na imagem da HDTV e 3D", diz Marcia Schulman da Fox.

Já sente no Brasil o movimento de revalorização do natural?

Com toda certeza. Hoje buscamos a melhor textura da pele, clareamento, sem perder a naturalidade, sem deixar um rosto tão imóvel!!! Sem excessos, e isso vem sendo divulgado em todos os congressos.

O que vale a pena?

Melhorar a textura da pele com lasers. Pode até preencher, mas com substâncias reabsorvies, que mantêm a naturalidade.

Quais os mais modernos aparelhos e o que fazem?

Máquinas de tecnologia fracionada. A CO2 é a vedete pois os raios mais longos agem no colágeno da dérme. O fraxel e 1927 age na epiderme e é bom para manchas. Textura é o que interessa.

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