Em cena

Countdown para a SPArte

Chris Mello, O Estado de S.Paulo

22 de abril de 2010 | 00h00

Em exatos 7 dias começa a Feira Internacional de Arte de São Paulo. No line-up, 80 galerias - sendo 10 convidadas da Argentina, Uruguai, México, EUA, Espanha, França e Inglaterra.

A feira dobrou o número de participantes em seis anos. SPArte começa então a entrar para o rank das feiras mais importantes? Não dá para dizer sim, apesar do deslumbre mundial pelo Made in Brazil.

Shopping de arte no País é uma questão azeda por conta das tarifas alfandegárias de 47,5%. O que esse crescimento no número de participantes escancara - assim como a crise da Bienal - é a necessidade de organização e troca de informação da cena, já que museus, financeiramente capengas, mal estruturam o diálogo formador da cultura do povo.

Se institucionalmente funciona mal ... o mercado de galerias organicamente assumiu - por enquanto - o papel de formar, por meio da SPArte, um evento comercial, um panorama geralzão de arte contemporânea. Isso é bom? Melhor que nada, porque faz girar $, porém não é ideal. Enquanto as pessoas se apropriarem do prestígio das instituições em vez de darem seu prestígio - e dinheiro - a estas, será inegável a derrota de museus, sem programação e acervo.

Há - ainda bem - doadores trendsetters, empolgados pelo buzz em torno da SPArte e a nova direção da Bienal - que são independentíssimas, apesar de serem casados a diretora da feira, Fernanda Feitosa, e o presidente da Bienal, Heitor Martins. O trunfo dos dois é que mobilizam grupo de jovens colecionadores interessados em cultura, formado por investidores do mercado, que estão usando sua expertise - de planejamento e gestão - para criar oportunidades e ajudar a fazer $ para instituições. Na feira, Cleuza Garfinkel, da Porto Seguro, doará R$ 30 mil para o MAM. Carlinhos Jereissati, do Iguatemi, R$ 80 mil para a Pinacoteca e MAM da Bahia.

Falta de ufanismo o à parte, óbvio que interessa aos gringos o que acontece no B dos Brics, Numa comitiva de 18 virão Veronica Anaya, advisor da coleção mexicana Jumex, as curadoras da Tate, Tanya Barson e Julieta Gonzalez, e os colecionadores ingleses e americanos.

Sandra Cinto e Albano Afonso vão intervir na rampa da Bienal com trabalhos de alunos do Ateliê Fidalga. Tudo será destruído depois.

COM CARLINHOS JEREISSATI ...

Você é o primeiro que doou sem incentivos na SPArte.

Por quê?

Incrivelmente, 90% da obra do Portinari está em coleções particulares e isso me fez pensar. Arte é emoção, educação, os museus têm que ter acervo, então é bacana tornar a arte acessível. Mais do que comprar para ter, é legal comprar para doar. O Iguatemi é um centro de consumo que faz parte do cotidiano e penso em arte como parte disso, assim como moda. Se a pessoa não experimenta, não sente, não vai ser um apaixonado. E o primeiro contato é dado no dia a dia.

Você investe muito em foto. Por que esse suporte?

E estamos criando uma coleção Iguatemi, para mostrar em todos os shoppings do País, e promover cultura não só em SP.

Dizem que o futuro Shopping JK terá arte por todo canto...

Estamos comissionando artistas brasileiros e de outros países. Irmãos Campana farão um grande painel.

Olho mágico

Os übbercontemporâneos, artistas da Geração Y, estão no hype. Galeristas com olho para o bom - e que valoriza - a pedido do Estado, indicam o que levariam da SPArte. De outras galerias.

Marcia Fortes da Fortes Vilaça: "Acompanho Nicolas Robbio desde os primeiros dias de Vermelho: obra feita com cabeça, estômago, coração, mão."

Eliana Filkenstein da Vermelho: "Interessante como o colombiano Matteo Lopez, da Luisa Strina, lida com frente e avesso."

Luciana da Galeria Luciana Brito: "Vicente de Mello, da Galeria Eduardo Fernandes, é fotógrafo com pesquisa consistente."

Pedro Mendes da MendesWood: "Rogerio Degaki da Triângulo é apolítico e edgy. "What you see is what you get. Não há muito o que pensar. Design."

Marc Jacobs e Lorenzo Martone estão cada um para um lado. E o brasileiro sai do affair... com conta mais gorda.

Serginho Amorin está à frente da nova agência de profissionais moda 55 Management.

Soraya Milan, diretora criativa da Bo.Bô vai lançar a label de noite da marca no baile do Met. E de maneira sensorial: vestindo a modelo Alessandra Ambrósio.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais finalizou a parceria com Eloisa Simão e deu a Bazinho Ferraz a coordenação do Minas Fashion Week, orçado em R$ 14 milhões. Carlos Pazetto dá as diretrizes profissionais para haver unidade de moda nos 24 desfiles do Estado, que fatura R$ 1,4 bi por ano.

Ivan Finotti, dono do Astronete, no Baixo Augusta, vai mais para o centro. No Conjunto Zarvos, abre o bar de rock Alberta#3. Primeira noite? 1.º de maio, com som de Laura Taylor e Mexicano, do Roots Rock Revolution. A recepção é reservada. Você é um Torre do Dr Zero friendly? Bispo agora está no pré-club Gold.

Moby vai lançar o single Wait for Me no show de amanhã, graças à Renner. A música você ouve primeiro em SP no estadao.com.br/blogs/chris-mello.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.