Em cartaz, 40 anos da arte de Carlos Vergara

Carlos Vergara recusa-se a ver a exposição que inaugura esta noite no Instituto Tomie Ohtake como uma retrospectiva. Para ele, trata-se de um panorama que permite um recorte importante de sua produção nos últimos 40 anos, uma antologia que tem por principal característica demarcar a profunda diversidade de sua produção. A mostra, iniciada no Rio Grande do Sul, sua terra natal, reúne obras de mais de 30 coleções públicas e privadas e já foi vista por 65 mil pessoas.Realmente, entre os trabalhos de caráter mais militante da década de 60 até as pinturas bastante expressivas dos anos mais recentes - grandes cacofonias de cores e formas povoadas por figuras ao mesmo tempo estranhas e familiares - parece haver uma grande distância. No entanto, um dos grandes objetivos da exposição é exatamente pôr em relevo uma série de fios condutores que norteiam essa produção, dando-lhe uma coerência que está além da diversidade temática e técnica utilizada pelo artista desde sua primeira mostra em 1963, quando participou da Bienal de São Paulo com trabalhos de joalheria.Se tivesse que definir a principal força motriz de sua arte, Vergara diria que seu objetivo "é tornar coisas banais eloqüentes, construir um vocabulário pessoal capaz de tocar, acordar áreas sutis do espectador, de surpreender seu olhar". Uma metáfora tirada da química, profissão que exerceu até 1966, o ajuda a definir melhor esse vasto campo de ação: "Comparo a ação da arte com a do catalisador que precipita uma reação", explica.Carlos Vergara. De terça a domingo, das 11 às 20 horas. Instituto Tomie Ohtake. Avenida Faria Lima, 201, tel. 6844-1900. Até 9/11. Abertura hoje, às 20 horas, com lançamento de livro sobre o artista. Textos de Paulo Sergio Duarte. Editado pelo Santander Cultural. 240 páginas. R$ 80,00 (no Instituto).

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