Benoit Tessier/ Reuters
Benoit Tessier/ Reuters

Em carta, cerca de 100 modelos chamam abusos da Victoria's Secret de 'ultrajantes'

Manifesto surgiu após reportagem do jornal The New York Time. Christy Turlington Burns, Amber Valletta e Iskra Lawrence são alguns dos nomes que assinaram o manifesto

Redação, EFE

08 de fevereiro de 2020 | 15h19

Cerca de 100 modelos assinaram nesta quinta-feira uma carta denunciando a "cultura misógina e intimidação" da marca de roupas íntimas Victoria's Secret, exposta no último final de semana em uma reportagem do jornal The New York Times.

"Escrevemos hoje porque a reportagem investigativa do New York Times mostra que a cultura misógina, intimidadora e assediadora da Victoria's Secret é ainda mais ultrajante e arraigada do que se pensava", diz o texto, assinado por modelos como Christy Turlington Burns, Amber Valletta e Iskra Lawrence.

A carta foi promovida pela organização The Model Alliance, que tem por objetivo estimular a igualdade de tratamento dos manequins na indústria da moda, e diz que o grupo pediu há cinco meses para a Victoria's Secret e à sua empresa controladora, LBrands, mudanças imediatas no acordo, mas que a companhia "se recusou a agir".

De fato, a carta recorda o caso de uma antiga relações públicas da marca, Casey Crowe Taylor, que disse ao NYT que o abuso foi "aceito como normal" e que quem tentou fazer algo contra ele, "não apenas foi ignorado, como também foi punido".

"Isso é profundamente perturbador, mas não surpreendente, já que vimos casos semelhantes em muitas ocasiões no setor", diz o texto, também assinado por várias organizações, incluindo Time's Up.

Além disso, ele aponta que, quando "The Model Alliance" se reuniu em setembro passado com a chefe de comunicações da LBrands, Tammy Roberts Myers, "ficou muito claro que a Victoria's Secret não leva a sério esse tipo de reclamação".

"Chegou a hora da Victoria's Secret agir e proteger as pessoas de quem se beneficia. As violações dos direitos humanos não podem ser detidas por um exercício de mudança de imagem corporativa", acrescenta.

A reportagem do "NYT" aponta que o diretor de marketing da LBrands, Ed Razek, um dos principais líderes do popular desfile anual da Victoria's Secret, promoveu uma "cultura misógina enraizada de intimidação e assédio" antes de deixar o cargo, em agosto do ano passado.

Ainda de acordo com a matéria, Razek, de 71 anos, se dedicada a observar como as modelos mudavam durante os desfiles da marca de roupas íntimas, fazendo insinuações sexuais em várias ocasiões, como feitas a supermodelo Bella Hadid, dizendo que ela tinha "peitos perfeitos".

Razek, por sua vez, negou as acusações em um e-mail enviado ao "New York Times": "As acusações nesta informação são totalmente falsas, foram mal interpretadas e tiradas do contexto".

"Tive a sorte de trabalhar com inúmeros modelos tops e profissionais talentosos, e tenho muito orgulho do respeito mútuo existente", acrescentou.

A LBrands respondeu à declaração da "Model Alliance", garantindo que compartilha o objetivo de "garantir o bem-estar dos modelos", e lembra ter implementado novas medidas nas sessões de fotos desde maio de 2019.

"Estamos orgulhosos do progresso que fizemos e continuamos comprometidos com a melhoria contínua. Estamos sempre abertos para nos comunicar com aqueles que desejam introduzir melhorias no setor", diz.

 

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