Em busca do público da classe C

Prestes a estrear Vai Que Cola, diretor do Multishow fala sobre investimentos em atrações que define como populares

JOÃO FERNANDO, O Estado de S.Paulo

04 de julho de 2013 | 02h10

Restrito a uma fatia seleta do País no começo da década de 1990, o Multishow exibia poucos clipes, até então difíceis de serem vistos. Com o boom da TV por assinatura e a ascensão da classe C, o canal abriu o leque para outras vertentes e, agora, vai dar voz ao subúrbio carioca com a estreia do seriado Vai Que Cola, marcada para a próxima segunda, às 22h30. "A gente busca o popular", reconhece Guilherme Zattar, diretor-geral da emissora.

A atração, anunciada como uma das suas maiores produções, é um reflexo do investimento no humor, um dos pilares do canal, que se firmou também em programas musicais e de viagem. Para sustentar os 40 episódios da primeira temporada, com capítulos de segunda a sexta, atores com passagens por novelas da Globo, como Cacau Protásio e Emiliano D'Ávila, foram chamados para se juntar a pratas da casa do Multishow, como Paulo Gustavo. "Ele funcionou bem desde o primeiro momento. Chegou com a explosão das assinaturas da classe C", relembra Zattar.

O interesse da direção pelo gênero se deu em 2007, quando Cilada, série protagonizada por Bruno Mazzeo - que se tornou quadro do Fantástico -, estava no ar. "Começamos a buscar bons humoristas." Para o seriado, cujo formato é de teatro televisionado, o canal bancou um palco giratório com lugares na plateia em uma área de uma casa de shows no Rio. "Colocamos ar-condicionado e isolamos acusticamente."

Apesar de fazer parte da Globosat, um dos braços das Organizações Globo, trazer estrelas da matriz não é uma tarefa simples. "Para uma participação, a Globo libera. Mas, se um autor escalar o cara (para novela), me ferra. O pessoal de lá, quando não está na ativa, está descansando (a imagem)." Por isso, Zattar tratou de laçar os talentos à deriva. "Como a Globo não contratou a Cacau, a chamamos. A Fiorella (Matheis, também no elenco) estava sem contrato", revela. Segundo o diretor, entre os nomes do canal pago "emprestados" para a irmã maior estão Miá Mello e Tatá Werneck, que, nos intervalos das gravações de Amor à Vida, dá expediente em uma nova atração de humor por lá.

O diretor confirma a vontade de levar o Porta dos Fundos para sua grade. "Eles não querem. E eu não conseguiria colocar aquela quantidade de palavrões no horário cedo. Eles querem liberdade total. A hora em que criarem (um produto adequado), o Multishow estará aberto."

O foco na música popular foi outra mudança do canal nos últimos três anos, que levou ao ar shows de Paula Fernandes, do pagodeiro Thiaguinho e do grupo Revelação. "Não posso me restringir às coisas mais elitizadas. Uma das maiores audiências foi o Naldo. Mas também fizemos o show da Vanessa da Mata cantando Tom Jobim", alega. A estratégia funcionou. De acordo com dados do Ibope, até junho, o Multishow estava entre os dez canais mais vistos no horário nobre da TV paga, de 19 h à 1 h.

Zattar defende os programas de viagem - com formatos semelhantes, em que os apresentadores usam câmera na mão e há pouca qualidade técnica, são direcionados ao público do canal. "Se fosse uma coisa bem produzida, fugiria da realidade do jovem", explica. Ele diz, porém, que a situação melhorou. "O orçamento era limitado, hoje é três vezes maior", justifica, lembrando que há ainda novos investimentos em séries de dramaturgia. "Ainda é inferior às redes internacionais. Mas, hoje, pago melhor roteiristas e atores."

Em meio às produções, ainda chama a atenção a presença dos distantes programas eróticos da faixa noturna. Apesar de quebrar o ritmo, não sairão do ar. "Quando o Multishow começou, já existia o Sexy Time. Os assinantes sabem que vão encontrar naquele horário. Quero qualificar, não tirar o sexo. Não foi para a frente porque não está na prioridade orçamentária."

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